Sem apurar, PGR arquiva investigação contra Eduardo

Deputado era alvo de investigação preliminar sobre duas compras de imóveis com dinheiro vivo no Rio de Janeiro, mas apuração não foi levada adiante

por Vitória Silva seg, 01/11/2021 - 10:49
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil Eduardo Bolsonaro, deputado federal pelo PSL-SP Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A Procuradoria-Geral da República (PGR) arquivou a investigação contra Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no caso da compra de dois imóveis na Zona Sul do Rio de Janeiro, entre os anos de 2011 e 2016. O parlamentar é alvo de apuração preliminar desde dezembro de 2020, onde foram colhidas informações sobre a compra de um apartamento com R$ 150 mil em dinheiro vivo. No entanto, sem que a investigação sequer fosse conduzida, o cargo foi arquivado, sob justificativa de que “notícia de jornal não é sequer indício de crime praticado, mas apenas uma narrativa de profissional de jornalismo”. A informação é da coluna no UOL de Juliana Dal Piva, que revelou a aquisição. 

O filho do presidente comprou dois apartamentos nos últimos dez anos em aquisições que envolveram quantias altas de dinheiro em espécie. Em 2011, período anterior ao primeiro mandato do deputado, ele comprou um apartamento em Copacabana, área nobre do Rio, por R$ 160 mil. Na escritura, ficou registrado que o pagamento ocorreu com “R$ 50 mil através de moeda corrente do país, tudo conferido, contado e achado certo, perante mim do que dou fé”. O restante foi quitado com um cheque de R$ 110 mil. 

Cinco anos depois, em 2016, em seu segundo ano do primeiro mandato como deputado, ele fez outra compra. Desta vez, um apartamento de R$ 1 milhão em Botafogo. Na escritura, consta sinal de R$ 81 mil e mais R$ 100 mil em dinheiro vivo. 

As informações sobre as compras constam das escrituras públicas desses imóveis que foram registradas em cartórios do Rio de Janeiro pelo próprio deputado e apenas reportadas pela mídia. O caso foi revelado pela colunista e pelo jornalista Chico Otavio em reportagem do jornal O Globo em setembro do ano passado. A PGR, em sua justificativa, não mencionou que os dados eram oriundos de documentos públicos registrados em cartório. 

O procurador-geral Augusto Aras, desde que assumiu o cargo, tem sido criticado por arquivar casos associados ao clã Bolsonaro. Na última semana, a PGR abriu apuração preliminar para verificar os dados reunidos pela CPI da Covid contra 13 pessoas com foro privilegiado, entre elas, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Os senadores do chamado G7 se organizam para impedir que os casos sejam esquecidos ou arquivados. 

 

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