Alepe recebe reivindicações de povos indígenas

Uma audiência pública presidida pelo mandato coletivo Juntas (PSOL) ouviu as questões dos indígenas nesta sexta-feira (10)

sex, 10/05/2019 - 17:18
Reprodução/Twitter/João Paulo Os deputados ouviram os questionamentos dos povos indígenas que compareceram à Alepe Reprodução/Twitter/João Paulo

Os direitos dos povos indígenas foram defendidos na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), nesta sexta-feira (10), em audiência pública da Comissão de Cidadania, que é presidida pelo mandato coletivo Juntas (PSOL). Durante o encontro, foram ouvidas as demandas do segmento. Treze povos indígenas participaram do debate.

 “Consideramos fundamental a ocupação dessa Casa por todos os povos. Para que seja possível sair da invisibilidade. E para que todos possamos mostrar nossa força e nossas pautas”, declarou Jô Cavalcanti, do mandato coletivo Juntas. Também codeputada, Joelma Carla pontuou a preocupação de lutar contra o desmonte da saúde e o sucateamento da educação nos territórios indígenas. O Juntas falou, ainda, sobre a participação no 15º Acampamento Terra Livre (ATL), realizado em Brasília no mês passado.

O deputado João Paulo (PCdoB) avaliou que “o momento atual é de ameaça aos direitos”. “O presidente da República parece não se preocupar com o número de mortes da população indígena. Ao contrário, tem feito comentários racistas. Palavras que têm virado ação”, declarou.

Deputado federal, Carlos Veras (PT) também falou sobre a reforma, que, “ao impor um cadastramento, vai deixar de fora indígenas e trabalhadores rurais”. O parlamentar também aumentou o anúncio de cortes na educação e a aprovação de afrouxamento nas regras para armas de fogo e munição, na última terça (7). “Vai liberar armas para quem quer matar indígenas”, avaliou.

Sarapó Pankararu falou sobre a morte de índios no contexto da disputa de terra. “O território é o pontapé inicial dos nossos direitos, mas até hoje não vimos o cumprimento do que a Constituição Federal prevê. Quem luta pela terra é assassinado ou criminalizado”, declarou. Cobrando as demarcações, cacique Marcos Xukuru pontuou que “a população indígena tem uma relação de ancestralidade com o lugar em que vive”. “Nossos territórios não são simples espaços de terra”, frisou.

Deputado federal, Túlio Gadelha (PDT) avaliou que “o Brasil está vivendo um momento de tentativa de extermínio direto, indireto e cultural da população indígena”. Também agradeceu a pressão dos povos indígenas junto ao Congresso Nacional para garantir o retorno da Fundação Nacional do Índio (Funai) ao Ministério da Justiça. Na última quinta (9), também foi aprovada Emenda Modificativa nº 426/2019, de autoria do parlamentar, retirando a demarcação de terras indígenas das atribuições do Ministério da Agricultura e devolvendo para a Funai.

 

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