Afeganistão: ataques talibãs matam 20 soldados e policiais

Os ataques aconteceram poucas horas depois de uma conversa telefônica entre o líder político dos insurgentes, mulá Barada, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

qua, 04/03/2020 - 06:57
Noorullah Shirzada Militantes talibãs e moradores de Alingar celebram o acordo de paz em 2 de março de 2020 Noorullah Shirzada

Ao menos 20 soldados e policiais afegãos morreram nesta quarta-feira (4) em vários ataques, horas depois de uma conversa telefônica entre o presidente americano Donald Trump e o líder político dos insurgentes talibãs.

"Combatentes talibãs atacaram pelo menos três postos do exército no distrito de Imam Sahib, em Kunduz, e mataram 10 soldados e quatro policiais", afirmou Safiullah Amiri, integrante do Conselho Provincial de Kunduz (norte).

A polícia local e uma fonte do ministério da Defesa confirmaram o balanço. Além disso, "seis policiais morreram e sete foram feridos pelos talibãs em Tarinkot", localidade da província de Uruzgan (sul), informou Zergai Ebadi, porta-voz do governador

Os ataques aconteceram poucas horas depois de uma conversa telefônica entre o líder político dos insurgentes, mulá Barada, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A conversa foi "longa e boa", disse Trump. "Minha relação com o mulá é muito boa", acrescentou Trump. "Eles querem acabar com a violência", declarou.

O contato aconteceu depois que os insurgentes retomaram na segunda-feira a ofensiva contra as forças de segurança afegãs, mas não contra as forças estrangeiras, encerrando uma trégua parcial de nove dias.

A redução dos combates havia sido imposta pelos Estados Unidos como uma condição para o acordo assinado no sábado passado em Doha por Washington e os talibãs.

No acordo, o governo dos Estados Unidos se compromete com uma retirada completa do Afeganistão no prazo de 14 meses em troca, entre outras coisas, do início de um diálogo entre afegão que inclua o governo, a oposição, a sociedade civil e os talibãs.

Alguns obstáculos já foram criados, no entanto, incluindo a recusa do presidente afegão, Ashraf Ghani, de libertar até 5.000 prisioneiros talibãs em troca de 1.000 integrantes das forças de segurança afegãs.

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