Militares do Sudão negam ter dispersado protesto à força

O porta-voz, no entanto, disse que as forças de segurança atuaram em uma zona 'perigosa', conhecida como 'Colômbia', perto do local dos protestos

seg, 03/06/2019 - 11:01
Ebrahim Hamid Manifestantes protestam em frente ao QG do Exército em Cartum Ebrahim Hamid

O Conselho Militar de Transição do Sudão negou nesta segunda-feira (3) ter dispersado à força o acampamento de opositores diante do quartel-general do Exército em Cartum, ao mesmo tempo em que um comitê de médicos elevou o balanço de vítimas da repressão a nove mortos.

"Não dispersamos o acampamento à força", declarou o porta-voz do Conselho, o general Shamsedin Kabashi, ao canal Sky News Arabia, que sede nos Emirados Árabes Unidos.

"As barracas continuam no local e os jovens podem circular livremente", afirmou o general.

O porta-voz, no entanto, disse que as forças de segurança atuaram em uma zona "perigosa", conhecida como "Colômbia", perto do local dos protestos.

"Este local, chamado 'Colômbia', foi durante muito tempo uma fonte de corrupção e atividades ilícitas", declarou o general.

"Várias pessoas fugiram de 'Colômbia' e entraram na área do acampamento", disse o porta-voz. "Resultado: vários jovens saíram do local do protesto"

A oposição anunciou nesta segunda-feira a interrupção dos contatos com o Conselho Militar de Transição, que governa o país desde a destituição do presidente Omar al Bashir em 11 de abril.

"Anunciamos o fim de qualquer contato político e de negociação com o Conselho golpista", afirmou em um comunicado a Aliança pela Liberdade e a Mudança (ALC), líder dos protestos.

A ALC convocou uma "greve e a desobediência civil total e indefinida a partir de hoje", segunda-feira.

Ao menos nove pessoas morreram nesta segunda-feira em Cartum na "dispersão" do acampamento de manifestantes diante do quartel-general do exército do Sudão, denunciou o Comitê Central dos Médicos Sudaneses.

"O balanço dos mártires da matança de hoje passou a nove após o falecimento de mais quatro pessoas", afirma um comunicado divulgado pelo Comitê.

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