Manifesto faz duras críticas à gestão de Arnaldo no Sport

De autoria do movimento 'Democracia Rubro-Negra', manifesto pede volta das torcidas organizadas sem apologia à violência, clareza nos gastos do Sport, barateamento de ingressos, entre outros assuntos

por Nathan Santos qua, 21/02/2018 - 15:35
Paulo Uchôa/LeiaJáImagens/Arquivo  Arnaldo Barros, presidente do Sport, é alvo de reclamações Paulo Uchôa/LeiaJáImagens/Arquivo

Contrários à gestão do presidente Arnaldo Barros, sócios do Sport criaram um grupo que faz duras críticas à atuação do mandatário leonino. Denominado “Democracia Rubro-Negra”, o movimento foi criado há três anos para debater internamente assuntos relacionados ao clube, no entanto, nesta quarta-feira (21), os ideais do movimento foram levados ao público por meio de um texto divulgado para veículos de imprensa.

No manifesto, o grupo demonstra preocupação com alguns problemas que envolvem o Sport, como o vexame da eliminação da Copa do Brasil deste ano, bem como o movimento critica os baixos públicos da Ilha do Retiro, a “infeliz opção de não jogar a Copa do Nordeste”, “crise com Luxemburgo”, atrasos salariais, relação com as torcidas organizadas, entre outros inúmeros assuntos.

Ao todo, 51 assinaturas de torcedores do Sport aparecem no texto do movimento. Um dos coordenadores do manifesto, o advogado Pedro Josephi, em entrevista ao LeiaJá nesta quarta-feira, afirmou que o número de participantes deve aumentar, contando com a partição de novos sócios e de torcedores não associados. De acordo com ele, além dos pontos mencionados no texto do movimento, o grupo acredita que da época do ex-presidente João Humberto Martorelli até o atual mandato de Arnaldo Barros houve um processo de elitização do Sport que afastou os torcedores mais pobres da Ilha do Retiro.

Pedro Josephi ainda diz que a proposta do grupo não é pedir a saída de Arnaldo da presidência, uma vez que ele foi eleito pelos sócios do clube. Por outro lado, o movimento espera que o presidente possa atender às demandas sugeridas pela torcida. O advogado ainda convocou outros torcedores rubro-negros que tenham interesse em integrar o grupo.

“Com sucessivas gestões desastrosas, no âmbito do futebol e nas finanças do clube nos últimos dois anos, a gente resolveu apresentar ideias, sugestões e reflexões. A gente não tem pretensão eleitoral alguma, qualquer torcedor pode participar das nossas reuniões e assinar o manifesto. A ideia do manifesto surgiu em especial após a eliminação da Copa do Brasil e depois das notícias que o clube está em débito com alguns jogadores”, explica Pedro Josephi em entrevista ao LeiaJá.

O coordenador do manifesto também acredita que é preciso haver um barateamento das associações e ingressos do clube. “O Sport não pode ser apenas para o sócio. Essa dicotomia que Martorelli criou e que Arnaldo reproduz de que o clube é para os sócios, para a gente fez com que a torcida do Sport em sua integralidade se afastasse ainda mais. Existem pessoas que não têm condições de ser sócias do clube. É uma discussão que queremos fazer, baratear os preços dos ingressos”, argumentou Pedro Josephi.

O movimento também cobra a criação de um “Portal da Transparência”. Segundo o texto do manifesto, a ideia é que ele “forneça aos rubro-negros, de forma fácil e clara, acesso a balancetes financeiros, receitas e despesas com contratos, valores de compra e venda de jogadores”. “Essas informações podem e devem estar disponíveis para os verdadeiros donos do Sport: os seus sócios e torcedores. A falta de transparência nas transações financeiras é o que abre espaço para conchavos com empresários ou para dívidas que vêm sido roladas para frente como as oriundas das compras de Rithely, André e Rogério”, complementa o texto.

Outro ponto do manifesto aborda a relação do Sport com as torcidas organizadas. Assim como na gestão de Martorelli, Arnaldo fortaleceu o rompimento do clube com as uniformizadas, em especial a Torcida Jovem. “Uma das marcas que Arnaldo Barros ostenta com orgulho é de ter afastado as torcidas organizadas do clube. O problema é que ele afastou a torcida inteira, organizada e não organizada. Na verdade, o movimento de elitização que Arnaldo Barros e seu grupo propunham para o Sport (Arena com ingressos caríssimos, como visto em outras partes do País) precisava de um bode expiatório que pudesse associar com o crime. Fez parte de uma estratégia maior de afastar a massa mais pobre dos torcedores do Sport da Ilha, não só a Torcida Jovem”, aponta o grupo por meio do manifesto.

“Na hora do desespero, recorria ao povão, colocando ingressos a 10 reais quando o Sport estava quase caindo para a Série B. Este modelo é um engodo. Propomos que o Clube não tenha relações com nenhuma torcida organizada que faça apologia ao crime e à violência, mas que não passe uma régua única nas torcidas que mantém seu propósito original: torcer e ajudar o Sport. São torcedores que amam o Clube como cada um de nós, que ajudam a preparar a festa para os jogos, bandeirões, faixas, papéis picados”, complementa.

O LeiaJá procurou a assessoria de imprensa do Sport para que o presidente Arnaldo Barros respondesse às críticas divulgadas no manifesto. Porém, até o fechamento desta matéria, não fomos atendidos. Leia o texto na íntegra do manifesto divulgado pelo movimento Democracia Rubro-Negra.  

COMENTÁRIOS dos leitores