Balé em cadeira de rodas esbanja alegria e inclusão

Jovens dançarinos paraenses vão disputar Campeonato Brasileiro de Dança Esportiva para cadeirantes, em João Pessoa, na Paraíba

ter, 26/09/2017 - 17:38

Dez atletas bailarinos representarão o Pará no XVI Campeonato Brasileiro de Dança Esportiva em Cadeira de Rodas, que será realizado no período de 28 a 30 de setembro, em João Pessoa, na Paraíba. Atualmente, a Companhia é composta por 10 bailarinos intérpretes, sendo quatro cadeirantes e seus respectivos parceiros. Os dançarinos integram a Companhia Do Nosso Jeito, que faz parte do projeto de dança inclusiva da Fundação Cultural do Pará (FCP).

Os integrantes da Companhia já participaram de várias competições, dentro e fora do Estado, chegando a conquistar sete medalhas, incluindo quatro de ouro e três de prata, nas sete categorias disputadas durante o 15º Campeonato Brasileiro de Dança Esportiva, realizado no ano passado, na cidade de Santos, em São Paulo.

A fisioterapeuta Gracielle Sales é uma das atletas que fazem parte da Companhia e conta que irá competir pela primeira vez um campeonato brasileiro de dança. “Eu não sei nem descrever a sensação, eu nunca participei de nada, nunca gostei nem de jogos internos na escola, mas estamos indo com a alma para esse campeonato, porque não dançamos apenas com o corpo e também com a alma. Então eu estou esperando bons resultados da nossa companhia", disse Gracielle.

A bailarina conta que a música sempre esteve presente na sua vida e que usa a dança como um meio de expressar suas emoções. “Eu sempre gostei muito de dançar, sempre fui muito musical, eu estou portadora da ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica) há seis anos, então a gente voltaao universo da dança que é único, é maravilhoso, onde a gente se socializa, interage e bota as nossas emoções pra fora”, afirmou.

O bailarino Leonel Barbosa, um dos atletas andantes, conheceu o projeto através de uma apresentação da Companhia, e hoje já faz parte do projeto há seis meses. "O projeto já tem três anos, eu comecei faz seis meses, eu vi uma apresentação deles, me interessei e vim aqui e tinha vaga. Estou até hoje”, explica Leonel.

Para Leonel, a experiência só acrescentou ainda mais na sua vivência com a dança. “É uma experiência muito gratificante. Eu já praticava dança de salão, e a dança com os cadeirantes se torna muito gratificante porque a gente mostra que eles são capazes de praticar dança de salão”, conta.

O projeto de dança inclusiva é sem fins lucrativos e a Companhia representa a Fundação Cultural do Pará no Estado em duas modalidades: dança esportiva e dança artística em cadeira. “A dança artística é bem mais ligada à dança contemporânea, uma dança para todos e sem limites, que trabalha com expressões corporais. Já a dança esportiva em cadeira de rodas trabalha com cinco ritmos latinos, que são samba, rumba, jive, cha cha cha e paso doble”, explica a coordenadora e coreógrafa do projeto, a professora Mestre em Dança e especialista em inclusão Thays Reis.

Para a professora, o projeto se torna uma grande realização pessoal e profissional. “O projeto é uma grande realização. Eu vejo que o meu estudo é concretizado, ver as pessoas dançando e realizando seus próprios sonhos, anseios e sendo incluídas na sociedade é o maior retorno que nós temos”, revela a professora. Veja vídeo abaixo.

Por Ariela Motizuki.

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