Artesanato em foco em pleno Marco Zero

Centro de Artesanato de Pernambuco reúne obras dos principais artesãos do Estado e valoriza a arte popular

por Maira Baracho ter, 25/09/2012 - 22:22

Nesta terça-feira (25), o Centro de Artesanato de Pernambuco (CAPE) abriu suas portas no Recife. O espaço traz 16 mil peças de 500 artesãos de todo o Estado e, com 2.511m², já é considerado o maior do segmento no Brasil. Além da área destinada ao comércio das obras, o CAPE conta ainda com um auditório, uma galeria de arte e um bar/restaurante com dois ambientes, o Bistrô & Boteco.

J. Borges, Lula Vassoureiro, Manoel Eudócio, Ana das Carrancas e Mestre Nado são alguns dos nomes de destaques das obras, que usam madeira, couro, argila, palha e sucata para se expressar. Aos 67 anos, Mestre Nado trabalha com o barro desde que era criança e acredita que o CAPE representa um avanço para os artesãos. “Nem sempre tivemos espaço para nosso trabalho. Eu, por exemplo, criei um novo tipo de artesanato, transformando barro em instrumentos musicais”, contou, e complementa, “há muito tempo que o artesão merecia um espaço que reconhecesse seu trabalho”. Nado ainda destaca a importante visibilidade que o centro representa para os turistas. “O turista vem aqui e encontra o melhor do artesanato de Pernambuco, foi bom para todo mundo”, conclui.

Para o prefeito do Recife, João da Costa, o espaço representa também a mudança na forma de enxergar os artesãos e o seu trabalho. “É importante trazer o artesanato para o centro da cidade, principalmente por que durante muito tempo ele nem foi reconhecido como arte”, explica o prefeito, dizendo que o espaço ajuda na valorização destes artistas. Uma das arquitetas à frente da obra de revitalização do Armazém, Ana Maria Pedrosa, destaca ainda o lado inovador do CAPE. “É importante mostrar o artesanato enquanto objeto de uso e não apenas como algo que fica ali, exposto e pronto. Além disso, aqui é o principal ponto turístico do Recife, trazer este tipo de arte para cá e valorizá-lo era fundamental”, disse, referindo-se ao bairro do Recife.

O público que esteve presente mostrou-se encantado com o novo espaço que a cidade ganhou. Para a aposentada Dayse Cavalcante, o CAPE chegou em boa hora. “Estava faltando um espaço assim no Recife”. Já o alemão Herbert Zeidler se disse "surpreendido" com o que encontrou. “Vim com um certo preconceito, achei que essa seria uma segunda 'Casa da Cultura', mas o que tem aqui é arte de alto nível, muito bom”, confessa. Cativada pelas opções do espaço, a designer de joias alemã Berttina espera que ela cresça ainda mais. “Não tenho nenhuma crítica, espero que abra espaço para outras manifestações de arte no futuro”.



Tradição/Tradução - A primeira exposição recebida pela galeria do CAPE, Tradição/Tradução, reúne obras de quatro artistas do Estado. Os trabalhos de Marcelo Silveira, Derlon, Cristina Machado e Joelson foram produzidos a partir dos mesmos materiais usados pelos artesãos: madeira, couro e argila foram explorados nas confecções. A mostra fica em cartaz até 25 de novembro.

Serviço

Centro de Artesanato de Pernambuco

Marco Zero (Avenida Alfredo Lisboa, Bairro do Recife)

Segunda a Domingo, 10h às 20h

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