Janguiê Diniz

Janguiê Diniz

O mundo em discussão

Perfil:   Mestre e Doutor em Direito, Fundador e Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional, Presidente do Instituto Exito de Empreendedorismo

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Terra que agoniza

seg, 30/08/2021 - 16:06

Nos últimos anos, temos acompanhado, muitas vezes com espanto e pesar, notícias de desastres naturais que causam grandes danos em diversas partes do planeta. Ciclones, furacões, enchentes, ondas de calor. As manifestações da natureza vêm crescendo em número e intensidade. E os principais culpados parecemos ser nós mesmos, a raça humana. Com tanta usura indiscriminada dos recursos fornecidos pela Terra, chega uma hora que todo o ecossistema entra em desequilíbrio, acarretando nessas claras demonstrações de que a natureza pede socorro. E nós precisamos escutar esse grito.

O Haiti, um dos países mais pobres do mundo, sofreu recentemente com uma série de terremotos – o mais forte chegou a 7,2 de magnitude – que deixaram mais de 2 mil mortos e 12 mil feridos. Na Europa, chuvas torrenciais causaram enchentes que levaram também a mortes e destruição. Já no Canadá, foi o calor que trouxe problemas de saúde e óbitos. Nitidamente, o planeta demonstra não estar bem, o que torna urgentes medidas compensatórias. Não se pode mais continuar a exploração desenfreada do que a terra e os mares nos dão, a poluição do ar, a devastação das florestas. Há que se rever os modelos de desenvolvimento dos países, principalmente os mais industrializados, de forma a compatibilizá-los com a preservação ambiental. Chega a ser redundante e óbvio este tópico, mas, ao que tudo indica, ainda não estamos agindo da maneira correta.

No Brasil, por exemplo, somos abençoados por não sofrer, por exemplo, com terremotos ou furacões. No entanto, outros eventos naturais adversos têm ocorrido. Temos também uma rica diversidade de fauna e flora, mas que vem sendo cada vez mais dizimada. Na ânsia pelo lucro, pelo consumo e pelo crescimento, muitos relegam o cuidado com a natureza a segundo plano. Mas a conta vai chegar – na verdade, já está sendo cobrada, em parcelas crescentes.

As legislações e os códigos de proteção dos recursos naturais precisam ter definições muito claras e, acima de tudo, contar com fiscalização e aplicação rigorosa das sanções a quem os descumprir. Claro que é possível, e até benéfico, impulsionar o desenvolvimento do agronegócio, um dos principais setores da economia brasileira, mas este não pode, jamais, estar acima do desenvolvimento ambiental. Ambos devem caminhar lado a lado. Ora, é preciso ter em mente que destruir a natureza será, a longo prazo, prejudicial inclusive para a agricultura, pecuária e setores em geral.

Não podemos negar que as mudanças climáticas, em grande parte causadas pela ação humana, têm temerosos reflexos. Algumas dessas alterações chegam a ser consideradas irreversíveis. O que resta é trabalhar para salvar o que ainda pode ser preservado. Sim, há esperança de um futuro mais verde e saudável, mas, para que ele se torne realidade, ainda serão necessárias grandes doses de esforço coletivo, em níveis local, regional e global, para manter a balança do clima e da natureza equilibrada. Caso contrário, nessa briga, certamente sairemos perdedores.


Dubai, a cidade do futuro

Janguiê Dinizseg, 23/08/2021 - 09:50

Para além dos cenários paradisíacos e da aparente aura de ostentação que envolve Dubai, há muito mais na maior cidade dos Emirados Árabes Unidos do que o que salta aos olhos à primeira vista. Ao conhecer mais profundamente a história da região, vê-se que Dubai sempre esteve à frente de seu tempo: de uma pequena cidade de pescadores em área desértica, tornou-se um dos municípios mais promissores e dos destinos mais procurados do mundo, celeiro de inovação e tecnologia.

Muitos podem argumentar que Dubai só se tornou o que é hoje devido às fortunas dos sheiks locais. Esse é um argumento extremamente falho. Ora, o mérito é todo das mentes brilhantes, empreendedoras e visionárias, que decidiram tornar a cidade esse local encantador. O dinheiro, nesse caso, é apenas um viabilizador – que de nada vale se não é bem utilizado. Acontece que o próprio governo da região é bastante orientado ao desenvolvimento e, para isso, realiza grandes investimentos em tecnologia e inovação, bem como em educação.

Visitei Dubai mais uma vez recentemente e posso afirmar que ela nos ensina sobre visão de futuro, determinação e, principalmente, sobre sonhos. O que seria dessa cidade se não fossem sonhos grandiosos outrora apenas imaginados? Da mesma forma, o que seria desses sonhos se permanecessem apenas na imaginação? Foi pela união de sonhos e trabalho que surgiram, por exemplo, o edifício mais alto do mundo, o Burj Khalifa; a Dubai Frame, uma gigante moldura descrita como “o maior porta-retratos do mundo”; ou a Palm Jumeirah, uma ilha artificial em formato de palmeira.

Dubai tem os olhos no futuro – tem sido assim desde o começo de seu desenvolvimento. Tanto que tem seu próprio Museu do Futuro. A instalação trata da evolução do planeta e da tecnologia de forma inovadora e discute diversos aspectos que nos remetem aos caminhos que a humanidade seguirá nas próximas décadas. A cidade também realizará a Expo Dubai, feira internacional que deve ser inaugurada em outubro de 2021 e vai debater os futuros da economia e dos negócios, tecnologia, urbanismo, sustentabilidade, ciências e cultura, entre outros temas. Um espaço incrível que certamente trará muitas reflexões.

Em um mundo ideal, teríamos diversas Dubais espalhadas por todo o planeta. Imagine o quanto mais evoluída a humanidade seria se tivéssemos a consciência de que investimentos a longo prazo em tecnologia, inovação e educação dão muitos e ótimos resultados. Mas sempre é possível aprender com os bons exemplos, e Dubai é, sem dúvidas, um grande case de sucesso. Que o Brasil se inspire e também saiba direcionar esforços e investimentos para os setores mais adequados.


Mentoria: a trilha do desenvolvimento

Janguiê Dinizseg, 02/08/2021 - 10:06

Melhor do que se aventurar em um projeto por conta própria é aprender com quem já fez algo parecido com sucesso. Escutar experiências de outras pessoas ajuda a trilhar o próprio caminho com mais chances de acerto e menos possibilidades de erro. É nisso que consiste a mentoria, um processo em que alguém já experiente em determinado ramo de atuação ajuda, orienta e guia uma pessoa menos experiente em seu caminho. No empreendedorismo, a mentoria é uma ferramenta valiosa para quem quer alcançar a prosperidade.

A mentoria tem o objetivo primeiro de fazer com que uma pessoa alcance seus objetivos mais rapidamente. Pode ser considerada um atalho? Talvez, mas no melhor sentido da palavra. Não se trata de pular etapas ou “burlar o sistema”: o mentor não vai fazer nada no lugar do mentorado, nem será uma espécie de “babá”, mas guiará o pupilo com conselhos, dicas e análises. É muito mais uma atividade de estímulo e desenvolvimento conjunto, uma companhia nos negócios.

Se formos pensar no cinema, a figura do mentor aparece em filmes como a saga “Star Wars”. O mestre Yoda, Obi-Wan Kenobi e Luke Skywalker são grandes mentores dos aprendizes jedi da trama. Eles são os responsáveis por treinas os futuros guerreiros, não apenas ensinando técnicas de luta, mas também atuando no seu desenvolvimento pessoal, de suas habilidades socioemocionais, provocando reflexões para que seus pupilos encontrassem respostas e trilhassem caminhos de sucesso. Podemos trazer essa analogia para a vida do empreendedor. O mentor é aquele que já tem experiência na área e poderá levar seu mentorado a um patamar mais alto. E esse processo se dá de variadas formas, mas é comum ter conversas informais, debates e reflexões sobre os pontos levantados pelo mentorado.

Também é importante lembrar que é sempre mais fácil, mais barato e menos doloroso aprender com os erros dos outros. O mentor tem esse papel de prevenção: ao compartilhar em que pontos fracassou, prepara seu mentorado para evitar os mesmos erros – que, eventualmente, serão inevitáveis, mas conseguir diminuir a quantidade e o tamanho deles é bem positivo.

Todo empreendedor pode e deve seguir os passos de alguém. Quando é possível ter contato direto com essa pessoa e absorver seu conhecimento, melhor ainda. Ter um mentor é ter um guia na sua caminhada, que vai auxiliar no trajeto em direção aos seus objetivos. Buscar um mentor é uma ótima estratégia para quem deseja potencializar esse crescimento e ter resultados ainda melhores. Afinal, escutando quem já chegou lá, fica muito mais fácil também chegar.


O Mundo VUCA

Janguiê Dinizsex, 30/07/2021 - 07:02

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman desenvolveu o conceito da “modernidade líquida”, que, segundo ele, caracteriza uma realidade em que instituições, ideias e relações humanas mudam de maneira muito rápida e imprevisível. Esse conceito se assemelha a um outro, que surgiu nos anos 1990 pós-Guerra Fria: o do Mundo VUCA. A sigla “VUCA” significa, na tradução do inglês: volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade. Uma realidade que se apresenta nos dias atuais em várias instâncias da vida, como o mercado de trabalho. Cabe às empresas entender esse contexto e saber lidar com ele, com vistas a garantir sustentabilidade e relevância do negócio.

A ideia do Mundo VUCA ganhou mais repercussão no ambiente empresarial depois da crise econômica de 2008. É fato que estamos vivendo em uma realidade instável, complexa, cheia de incertezas e ambiguidades – tal qual a modernidade líquida de Bauman. A pandemia do coronavírus foi mais um ponto a corroborar essa ideia: ela nos mostrou que diversos conceitos que defendíamos antes precisam mudar. É do ser humano estar em constante evolução, e isso é positivo. Não seria diferente com carreiras profissionais e empresas. Adaptar-se a essa realidade que se impõe é condição de sobrevivência.

O principal ponto entre as ideias do Mundo VUCA e da modernidade líquida talvez seja a volatilidade. Tudo muda muito rápido, a todo instante. Isso vale para nossas vidas pessoais e para o mercado. Neste em particular, essa ideia merece especial atenção, uma vez que acaba requerendo de profissionais, gestores e empresas de um modo geral uma mudança de postura. Se, antes, as companhias estabeleciam o que os clientes deveriam consumir, hoje, essa ideia se inverteu, e é o público que manda na relação de consumo. E essa alteração de paradigma acarreta a volatilidade: as tendências de mercado se alteram de acordo com os desejos da população, influenciados por uma infinidade de fatores. Basta que um novo meme exploda nas redes sociais ou uma celebridade fale sobre determinado produto que irá influenciar de estratégias de marketing a mixes de lojas.

E como estar sempre atualizado nesse mundo mutável e líquido? Ora, é preciso, antes de tudo, que as empresas implementem uma verdadeira mudança de mentalidade, desde a alta gestão até os funcionários, em todos os setores. Se a estabilidade não existe mais, pensemos de maneira instável, sempre preparados para o novo. Essa forma de pensar e agir, inclusive, é uma ótima porta para a inovação nos negócios. O estímulo ao pensamento inovador traz benefícios para colaboradores, gestores e as próprias empresas, além, é claro, do público, que acaba por ter melhores produtos e serviços à disposição.

Os conceitos de Mundo VUCA e modernidade líquida ajudam a explicar um pouco do que vivemos hoje nas relações interpessoais e comerciais. Se, por um lado, indicam perda da força das ligações, por outro, levantam alertas e abrem oportunidades para empresas e profissionais. Estar atento e aberto às possibilidades de futuro é o que garantirá um “lugar ao sol” nessa competição cada vez mais acirrada.


OS OBSTINADOS: O MANIFESTO

Janguiê Dinizseg, 26/07/2021 - 19:07

Ser um Obstinado significa ser  OUSADO, CORAJOSO, DETERMINADO,  DEDICADO, COMPROMISSADO, DISCIPLINADO, PERSEVERANTE, FOCADO, OTIMISTA, POSITIVO, enfim, um GUERREIRO IMPARÁVEL, que sonha sonhos grandes e impossíveis, transforma seu sonho em um projeto de vida, em um propósito de vida e ai envida grandes sacrifícios para transformá-lo em realidade. E quando o transforma, sonha outro, recomeça, realiza...  e ai, sonha outro, recomeça, realiza e nunca para.

Decidir viver pela OBSTINAÇÃO significa não terceirizar sua história e seu destino, mas  escolher ser o herói  da própria vida, vivendo  em ritmo constante de aceleração, em harmonia com as diversas formas de riqueza, sempre em rota ascendente de sucesso e prosperidade.

Os  OBSTINADOS  agem e fazem acontecer e  não param nunca,  pois são IMPARÁVEIS, e tem como  dogma  que a vida é uma  “questão de fazer até dar certo e não se der certo”.

Eles sabem que, por meio da educação e da busca por conhecimento, aliadas à resiliência, ao trabalho íntegro  e ao empreendedorismo, podem conquistar tudo, independentemente de onde vieram e do status quo atual.

O maior inimigo do OBSTINADO é a ignorância, pois, é  “a mãe de todos os males”, e  “não há nada mais assustador do que a ignorância em ação”.

Não importa onde iniciaram sua jornada, eles sempre descobrem como chegar aonde querem chegar e chegam!

Não importam os desafios,  obstáculos e as pedras  que aparecem pela frente, eles encontram as melhores maneiras para superar todas as adversidades e seguir avante o seu caminho.

Todo OBSTINADO, apesar de ser altamente grato,   é  altamente otimista e  inconformado patológico.  Eles entendem que seus sonhos são mapas para o sucesso e colocam toda sua  força e energia em ação para converter suas   ideias  incríveis em planos e estratégias concretas  que permitam alcançar os seus objetivos

Eles não se vitimizam, não se dizem “miseráveis”, “coitadinhos” ou “sem sorte”, pois nunca reclamam da vida. Da mesma forma, também nunca vivem na “caixa”, no “piloto automático”, no “lugar comum”, na “mesmice”, e “na zona de conforto” e jamais pisam nos  outros para poder subir na vida.

Um OBSTINADO não deixa ninguém para trás. Ele se inspira, motiva, inspira sua família, seus amigos e as pessoas em seu entorno.

Os OBSTINADOS  pensam por conta própria e não aceitam o impossível. Têm plena consciência de que o “impossível” é perfeitamente possível, pois é feito de “várias partes possíveis” quando se age com determinação, dedicação, compromisso  e  planejamento necessários.

Ele sempre quer mais que os outros, se esforça mais que os outros e faz mais que o necessário para cumprir as tarefas e materializar os seus ideais e propósitos de vida.

O OBSTINADO é uma pessoa com uma imensa potência interna, capaz de revolucionar sua realidade. Ele ama a vida e a respeita, por isso busca viver intensamente entregando  sempre o melhor.

 A OBSTINAÇÃO  é ESTADO DE ESPÍRITO, UM ESTILO DE VIDA, em que  o único resultado aceitável  é ser um TRIUNFADOR, UM VENCEDOR,   seja na vida, seja nos negócios.

É fácil reconhecer um OBSTINADO em qualquer lugar do mundo: Ele é ousado, corajoso, arrojado, atrevido, destemido, otimista, positivo, motivador, possui auto confiança e auto estima altíssima, inspira confiança e é altamente criativo e inovador. 

O OBSTINADO é sempre  chamado de  FODIDO OBSTINADO, com “O“ jamais de FUDIDO VITIMIZADO, com “U”, ou seja, de GUERREIRO, pois OBSTINADO é   “aquele que sonha, transforma seu sonho num projeto de vida e sempre consegue  transforma-lo   em realidade”.

Chegou a hora de transformar sua vida, sua história e seu destino. A partir de agora, transforme-se num OBSTINADO.

Participe do Movimento OS OBSTINADOS. Através do site www.janguiediniz.com.br ou pelas minhas redes sociais @janguiediniz.

 #MovimentoDosObstinados, #TriboDosObstinados


Medo, inimigo do sucesso

Janguiê Dinizqui, 08/07/2021 - 12:09

Diante de uma situação de perigo, que, de alguma maneira, nos ameaça, é normal sentirmos medo. E não há problema nisso. Quando trazemos essa análise para o mundo do empreendedorismo, é preciso ponderar, também, que o medo não pode gerar paralisia ou estagnação. Há que se saber lidar e conviver com ele, dominando-o, a fim de que ele se torne muito mais um motivador do que inibidor.

O medo é uma resposta instintiva do organismo. Alerta-nos de que estamos diante de algum perigo. Ao deparar-se com algo que inspira medo, é importante dar ouvido a esse sentimento, porque ele sempre tem uma mensagem importante. O principal a fazer é redobrar o cuidado, prestar atenção, estudar a situação de forma diligente, avaliando os cenários possíveis para traçar a melhor estratégia de resolução do problema. Não se pode, por outro lado, deixar-se paralisar, entregando-se à insegurança.

Quem está bem preparado para enfrentar os problemas da vida dificilmente é vencido pelo medo. É que o medo se instala quando enfrentamos algo que vemos como maior que nós mesmos. E, quando estamos preparados, nada é maior. Daí a importância de todo empreendedor manter-se em constante atualização e aperfeiçoamento. Sempre defendi o estudo e o conhecimento como grandes armas na vida do empreendedor, e eles são de primacial importância, também, em situações de medo. Porque muito do medo vem de não sabermos como agir, e o conhecimento dissipa essa névoa.

Para vencer o medo, é preciso desenvolver a autoconfiança. Esta, por sua vez, advém do autoconhecimento. E a melhor forma para adquiri-lo é ter plena ciência de suas habilidades, capacidades e, também, limitações – essas, para que sejam trabalhadas e superadas; aquelas, para que sejam ainda mais estimuladas. Fazer uma análise criteriosa e honesta de si mesmo ajuda bastante. Colocar no papel, como numa lista, seus pontos fortes e fracos ajuda a enxergar, de forma mais visual, um panorama de sua situação atual. Daí, é hora de partir para a ação e melhorar para ser melhorado. Esse aperfeiçoamento traz a confiança necessária a encarar os desafios que a vida impõe.

Ninguém deve se envergonhar por sentir medo. Ele faz parte da natureza humana. Prejudicial, no entanto, é deixar que o medo impeça a evolução pessoal ou profissional. Não se pode ceder a esse sentimento de impotência, nem permitir que ele seja motivo de desistência de sonhos. Uma frase que sempre uso e defendo: se for para desistir de algo, desista de ser fraco, desista de desistir.


Abandono escolar, abandono de futuro

Janguiê Dinizqua, 30/06/2021 - 15:50

O problema da evasão e da defasagem escolar é ainda bastante presente e urgente no Brasil. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 70 milhões dos brasileiros com 25 anos ou mais não concluíram o Ensino Médio. A pandemia do coronavírus ainda potencializou esse triste panorama. É preciso que, daqui para a frente, sejam desencadeadas diversas ações para evitar que nossos jovens desistam da escola, uma vez que, ao fazê-lo, estão também desistindo de seus futuros.

É preciso analisar a realidade do abandono escolar sob diversos prismas. Um deles é o econômico. A Plataforma Juventude, Educação e Trabalho, da Fundação Roberto Marinho, realizou pesquisa que mostrou que o principal motivo de evasão entre jovens de Ensino Médio (39,1%) é a necessidade de trabalhar. Com a pandemia, três em cada dez jovens disseram que pensaram em não voltar às aulas ao final do isolamento social. Esse panorama nos leva a refletir sobre como cuidamos de nossa infância e nossa juventude. É preciso que crianças e adolescentes tenham a tranquilidade de poder estudar sem que outras preocupações os desviem do caminho – e aqui entram pontos como a violência. O período escolar deve ser salvaguardado para que garantamos um futuro promissor aos nossos pequenos e, consequentemente, ao País.

O levantamento da Plataforma também mostrou que o segundo motivo mais comum de abandono é a falta de interesse. Aqui, temos duas vertentes. Primeiro, o modelo de ensino atual, arcaico e ainda muito engessado. Nossas escolas não evoluíram em compasso com a sociedade, cada vez mais ágil, interconectada e digital. As aulas ainda são dadas como 30 anos atrás. A outra face do desinteresse é a de o aluno não identificar utilidade prática dos conteúdos ensinados. As grades curriculares precisam ser adaptadas para focar em conteúdos que agreguem à vida do aluno, com a inclusão, por exemplo, de temas de empreendedorismo, negócios, educação financeira e desenvolvimento pessoal.

Iniciativas para recuperação do “tempo perdido” também se fazem urgente, para que jovens mesmo que fora de idade escolar possam concluir os estudos. Uma delas, a ser lançada no dia 15 de junho pelo Instituto Êxito de Empreendedorismo, o qual presido, é o Brasil Diplomado, um programa de preparação gratuita para provas de supletivo que fornecerá videoaulas online com os conteúdos das disciplinas de Ensino Médio. O projeto dá oportunidade a mais pessoas, por meio da educação a distância, de investirem na sua formação e construírem um futuro mais próspero.

A escola não deve ser empecilho na vida de um adolescente ou jovem. Pelo contrário, é justamente o meio de abrir portas e caminhos de desenvolvimento. Por vezes, no entanto, alguns optam por deixar os estudos de lado. Ainda temos um longo caminho a percorrer para que a cultura da educação seja forte no Brasil. Apenas com ela poderemos dar um verdadeiro salto de desenvolvimento e vislumbrar um futuro mais próspero para nosso país.


Educação empreendedora

Janguiê Dinizseg, 21/06/2021 - 16:52

A inovação é o que realmente faz uma empresa seguir competitiva. Também é o que movimenta a economia de um país e traz desenvolvimento. Um dos principais agentes promotores da inovação é a atividade empreendedora. Neste ponto, o Brasil ainda tem muito a melhorar. Precisamos disseminar o empreendedorismo entre nossos jovens.

De acordo com o Índice Global de Inovação, o Brasil ocupa a 62ª posição entre os 131 países pesquisados. Uma colocação ainda incompatível com a 12ª maior economia do mundo. Na minha ótica, esse problema tem origem na própria maneira como educamos nossas crianças e nossos adolescentes: não os incentivamos a pensar e agir de forma empreendedora. E aqui não me refiro apenas a negócios, mas a ter atitude empreendedora na vida – primordial para, depois, empreender empresarialmente.

O Instituto Êxito de Empreendedorismo e a UNESCO Brasil realizaram uma pesquisa com estudantes e professores do Ensino Médio da rede pública brasileira e os resultados corroboram minha tese: 95% dos estudantes e 96% dos docentes consideram importante a educação voltada ao empreendedorismo nas escolas. No entanto, este é um tema ainda deixado de lado. Só vemos iniciativas de estímulo ao pensamento empreendedor em escolas privadas – normalmente, as de mais alto padrão. A ideia de que empreender “é coisa de rico” é errada e prejudicial ao próprio desenvolvimento econômico do país, enquanto inovar parece algo distante ou difícil – um grande engano.

Imagine quantos talentos estão escondidos nas escolas públicas, nas periferias do Brasil, ou mesmo nos grandes centros. Defendo que todos têm o dom de empreender, uns mais, outros menos; basta que sejam incentivados a libertar todo seu potencial. O Brasil sempre foi “o país do futuro”, e esse futuro nunca veio. Talvez, porque não o preparamos. São essas mentes que estão nas escolas e faculdades, hoje, que serão o futuro da nação e, portanto, precisam ser desenvolvidas agora, a fim de que, lá na frente, deem os frutos adequados. Ter acesso a uma educação empreendedora, que estimule a inovação, expanda a mente dessas pessoas e as faça vislumbrar novas possibilidades de futuro, é condição para que também o Brasil engate uma crescente de desenvolvimento.

Com a pandemia do coronavírus, vimos surgir muitos empreendedores – muitos, por necessidade, mas também diversos por oportunidade. É em momentos de crise que o pensamento empreendedor e inovador se faz mais necessário, para que as pessoas encontrem as saídas dos problemas e possam se reerguer. Mas, para tal, o cultivo da cultura empreendedora, partindo da educação, deve estar cada vez mais presente no cotidiano das novas gerações.


O Marco Legal das Startups

Janguiê Dinizseg, 14/06/2021 - 09:51

Foi sancionada no último dia 1º de junho a lei que cria o Marco Legal das Startups e do Empreendedorismo Inovador. O texto traz um enquadramento legal do que são as startups e cria um ambiente mais favorável ao desenvolvimento das empresas inovadoras. Sem dúvidas, um grande passo para todo o ecossistema nacional, que terá impacto positivo na geração de renda e riqueza no Brasil, além da expansão criativa.

Segundo a lei, são consideradas startups as "organizações empresariais ou societárias, nascentes ou em operação recente, cuja atuação caracteriza-se pela inovação aplicada a modelo de negócios ou a produtos ou serviços ofertados". Importante destacar a citação da “inovação” como preceito da startup, o que de fato é verdade. Essas empresas nascentes são conhecidas por suas soluções – produtos ou serviços – de base tecnológica e inovadoras, com potencial de escala. A definição legal do escopo das startups é uma porta que se abre para uma série de possíveis iniciativas futuras.

O texto ainda traz uma série de mudanças em relações empresariais que facilitam a atuação das startups em várias frentes. Por exemplo, delimita a figura do investidor-anjo e como ele deve ser considerado dentro do quadro da empresa. Esse tipo de investimento é de primacial importância para o desenvolvimento das startups. Hoje, no Brasil, temos um grande número de investidores-anjos, que aportam capital em empresas com potencial de crescimento de forma a potencializar sua atuação.

O Marco Legal ainda cria uma modalidade especial de licitações voltada para as startups, em que entes públicos poderão lançar apenas o problema a ser resolvido e os resultados esperados, e cabe aos licitantes propor as soluções. Isso dá liberdade mais criativa às empresas, o que abre caminho para impulsionar a adoção de iniciativas inovadoras na Administração Pública. Como reflexo, poderemos ter uma prestação de serviço mais eficiente e modernizada, além da economia de recursos e aprimoramento de processos por meio da tecnologia. Essa aproximação das startups da Administração Pública é, de fato, muito benéfica e trará, certamente, benefícios à sociedade.

O ecossistema de startups no Brasil tem se desenvolvido bastante, mas uma série de entraves ainda existem. O Marco Legal das Startups e do Empreendedorismo Inovador vem para facilitar alguns processos e relações dentro desse ambiente e estimular o surgimento e crescimento das startups. Esperemos que, nos próximos anos, outras iniciativas nesse sentido sejam tomadas, a fim de que tenhamos um país cada vez mais inovador e empreendedor.


Intraempreendedorismo e inovação

Janguiê Diniz qua, 02/06/2021 - 14:47

Empreendedorismo e inovação são conceito que caminham bem próximos. Empreender – na concepção empresarial da palavra – pressupõe inovar, criar, fazer diferente. Acontece que a inovação, hoje, é elemento essencial para a sobrevivência de organizações e profissionais frente a um mercado cada vez mais competitivo. Surge no contexto, então, a figura do intraempreendedor, aquele que empreende não em um negócio próprio, mas na empresa em que trabalha.

Para que uma empresa se mantenha sempre relevante e ganhe destaque sobre as concorrentes, além de ter uma imagem moderna e inovadora, precisa também ter uma força de trabalho voltada para as transformações que vêm ocorrendo. É preciso criar entre seus funcionários a cultura inovadora, digital e disruptiva. O estímulo ao intraempreendedorismo apresenta-se como um grande trunfo para uma companhia. Ao incentivar e dar liberdade para que seus colaboradores pensem “fora da caixa” e proponham inovações em produtos, serviços e processos, estará também desenvolvendo um ambiente mais propício ao surgimento de grandes ideias.

Da mesma forma, os profissionais precisam desenvolver a mentalidade empreendedora e inovadora e buscar sempre refletir sobre seu dia a dia laboral. Como é possível melhorar os processos desenvolvidos, ou os produtos e serviços oferecidos ao cliente? Apresentar sugestões de mudanças, desde que bem embasadas e com argumentação sólida, demonstra o interesse do colaborador em somar ao desenvolvimento da empresa, conferindo a ele, também, diferencial perante a gestão. Permanecer apenas na mera execução de ordens, pelo contrário, leva à estagnação.

Melhorias promovidas no ambiente interno de uma empresa podem acabar se refletindo até mesmo em sua relação com o público: no atendimento, na prestação de serviço, ou nos produtos oferecidos. E o público nota essas mudanças positivas, que levam também a uma maior fidelização. É importante que as empresas incentivem o pensamento inovador e o intraempreendedorismo entre seus colaboradores, pois são eles que têm a real noção dos gargalos e entraves que ocorrem no dia a dia e podem propor soluções que melhorem seus trabalhos e, consequentemente, o ambiente do negócio como um todo.