Pretensão salarial: quanto pedir na hora da contratação?

Empresas utilizam a pretensão salarial dos candidatos como uma espécie de filtro entre o profissional desejado para a vaga e o que elas podem pagar

por Marcele Lima qui, 17/01/2019 - 09:17
Foto: Paulo Uchôa / LeiaJáImagens / Arquivo

Muitas pessoas que estão à procura de emprego se deparam com anúncios pedindo que, além do currículo, os candidatos enviem a pretensão salarial. Como cumprir o que é pedido sem acabar atrapalhando as chances de ser chamado para uma entrevista ou até perder a oportunidade de contratação para outra pessoa por pedir um salário alto demais?

Especialistas em recrutamento dizem que o primeiro passo a ser dado pelo potencial funcionário é pesquisar a média salarial da função na região de oferta da vaga. Os valores podem ser variáveis conforme aspectos demográficos, oferta e demanda, qualidade e custo de vida local.

“Para que se evite excessos não se deve colocar o valor que ‘acha bom’, pois, pode incorrer de pontuar valores desproporcionais. É  necessário pesquisar antes a média salarial que o mercado está disposto a pagar”, explica o Especialista em Recursos Humanos e Coordenador do curso de Gestão em RH do Centro Universitário Joaquim Nabuco, Jessé Barbosa de Araújo.

Geralmente, quando as empresas pedem para que os candidatos enviem suas pretensões já no primeiro contato entre eles, estão fazendo uma triagem entre o que eles têm a oferecer em relação à remuneração e o que os profissionais têm a lhes oferecer com suas experiências e habilidades. Por isso, além de buscar valorizar seu trabalho no mercado, o candidato deve estar aberto às negociações até o momento da efetivação.

Foi o que aconteceu com o Analista Adminstrativo, Isaac Andrade. Empregado em uma empresa multinacional que estava deixando o Recife, ele recebeu uma proposta de uma concorrente que não compensaria o pedido de demissão prévio. Ele enviou sua pretensão salarial e a partir daí começaram as conversas para que ambos chegassem a um acordo ideal. “O valor oferecido era só um pouco maior que o meu salário da época, sem os benefícios. A negociação se deu quando eu disse que não pediria demissão. Então a empresa em que trabalho hoje ofereceu um salário que valeu a pena pedir para sair e a consequente perda dos direitos indenizatórios”, conta o analista.

É importante que esta discussão sobre vencimentos só seja iniciada pelo recrutador. Se existe um valor fixo oferecido, provavelmente é o que a empresa vai pagar a quem for contratado. “Para que o candidato possa ser assertivo o mesmo só deve enviar pretensão salarial quando a vaga exigir, em caso de omissão salarial pelo recrutador o mesmo deve enviar o currículo normalmente, pois essa informação será revelada  no decorrer das etapas de seleção”, aconselha o Especialista em RH, Jessé Araújo.

Uma última dica de quem trabalha com seleção de pessoal é analisar a vaga como um todo. Se conhece algum funcionário, converse com ele sobre como é o ambiente e se há perspectiva de crescimento lá dentro. Pesquise como esta empresa é conhecida no setor que atua.  Aceite ouvir as propostas da empresa e considere os benefícios oferecidos, mesmo que a vaga não se enquadre no seu perfil remuneratório inicial.

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