Na UFPE, Boulos fala sobre a ditadura e pede resistência

Ex-candidato a presidente da República participou de um debate com estudantes

por Taciana Carvalho seg, 12/11/2018 - 21:53
Rafael Bandeira/LeiaJáImagens Rafael Bandeira/LeiaJáImagens

O ex-candidato a presidente da República Guilherme Boulos desembarcou no Recife, na noite desta segunda-feira (12), para participar de um debate com os estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Durante a conversa, que aconteceu em frente ao Centro de Educação, o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) prestou solidariedade pela ameaça que alunos e professores receberam por meio de uma carta anônima.

“Quero expressar nossa completa solidariedade aos professores e aos estudantes que nessa universidade tem sido vítimas de assédio por parte de setores antidemocráticos que não aceitam a universidade pública como espaço de debate. Eles podem querer impor um projeto de escola e universidade com censura porque não é sem partido. Esse nome é mentiroso porque nós não queremos escolas partidarizadas, nós queremos escolas democráticas, com pensamento crítico, é isso que nós queremos e disso nós não vamos abrir mãos”, disse. 

O dirigente por diversas vezes falou sobre resistência. “Seguramente as escolas e as universidades deste país terão, sim, espaço de resistência democrática contra a intolerância e contra o pensamento único que essa turma quer estabelecer”, avisou. 

Em um dado momento, ao encerrar a sua fala, ele pediu para que todos os presentes dessem as mãos para o colega do lado e relembrou a época da ditadura militar. “Nós estamos aqui em uma universidade federal. Um dos focos da ditadura militar deste país, nos fins dos anos 70, foi invadir as universidades para tentar desbaratar a resistência dos estudantes e dos professores. Em um dado momento, a tática de resistência dos estudantes e dos professores foi quando eles vinham invadir todo mundo dava a mãos e gritava assim ‘ninguém vai se render’”, disse levando os universitários repetirem a frase.

Durante seu pronunciamento, Boulos também falou sobre a necessidade de criar uma frente ampla de democracia no Brasil para defender os direitos da população e as liberdades democráticas. “Temos a necessidade neste momento de ter grandeza histórica e generosidade de voltar as nossas energias muito mais para os grandes desafios de fora do que para as pequenas disputas de dentro. Esse momento exige isso da gente com todos os setores que estejam dispostos a lutar pela democracia e que estejam preocupados com o rumo do país”. 

Ele ainda falou para que os estudantes dialogassem com as pessoas que não concordam com o ponto de vista dos presentes. “Conversar com quem já esta convencido da ameaça democrática e de lutar e fácil, difícil é chegar no grupo da família e falar com o tiozão que votou em Bolsonaro. Nós precisamos fazer isso também”. 

No final, Boulos ainda pediu para que ninguém abrisse mão dos seus sonhos. “O momento exige isso da gente. Nós não podemos abrir mão daquilo que a gente acredita porque é isso que nos move. Os tempos são difíceis, é verdade, mas os outros da história vão passar, e nós vamos ajudar a fazer com que esse tempo passe mais rápido. Agora, nós temos que ter a força e a ousadia de nadar contra a corrente”.

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