Empresas tentam driblar problemas de escala durante jogos

Telões e bandeirinhas no local de trabalho, lanches de graça ou funcionários liberados para assistir os jogos fora da empresa: cada companhia tem sua estratégia para tentar driblar os problemas de escala

sab, 16/06/2018 - 11:41
HANS PUNZ Jogadores da seleção brasileira durante amistoso contra a Áustria em Viena, em 10 de junho de 2018 HANS PUNZ

Por mais que pesquisas recentes tenham mostrado que o brasileiro não anda muito empolgado com a Copa do Mundo, cada jogo do Brasil será um desafio para as empresas, que buscam soluções para manter um clima de confraternização entre os colegas sem afetar a produtividade.

A estreia da seleção de Tite contra a Suíça será no domingo (17), mas na próxima sexta-feira (22) empresas vão começar a ajustar os horários de acordo com o fuso horário da Rússia, para a partida contra a Costa Rica, às 9h0 de Brasília.

Telões e bandeirinhas no local de trabalho, lanches de graça ou funcionários liberados para assistir os jogos fora da empresa: cada companhia tem sua estratégia para tentar driblar os problemas de escala.

De acordo com um estudo realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 28% das empresas do setor de comércio e de serviços vão dispensar seus funcionários para assistirem aos jogos do Brasil e 17% montaram um espaço especial para que assistam as partidas no local de trabalho.

"É impossível manter as pessoas focadas durante os jogos do Brasil na Copa", explica Robson Melo, da start-up Estante Magica, que emprega uma centena de pessoas no centro do Rio de Janeiro.

Seus funcionários terão a impressão de estar em um estádio de futebol, em um espaço decorado com dezenas de pequenas bandeiras nas cores verde e amarelo, grama artificial no chão e paletes de madeira interpostos para simular as arquibancadas. Sem contar a pipoca e os sanduíches a vontade.

"Vamos parar para os jogos, mas as metas são as mesmas. Estamos muito mais focados no cumprimento de metas do que com o cumprimento de horário efetivo", assegura Robson Melo, cuja empresa empresa oferece plataforma de projetos pedagógicos para escolas, publicando inclusive livros da autoria de crianças.

- Serviço mínimo -

Na sede da Netshoes em São Paulo, gramado artificial foi colocado nos elevadores e uma bola está disponível para concursos improvisados de embaixadinhas.

Mas quase todos os empregados vão assistir aos jogos no local de trabalho.

Para motivar o pessoal, o ex-atacante Denilson, campeão do mundo em 2002, foi convidado.

Outras empresas decidiram assegurar um serviço mínimo, como a agência de viagens Flytour.

Cerca de 30% dos 2.000 funcionários terão que trabalhar durante os jogos, que vão poder assistir de canto de olho, nas telas instaladas nos escritórios.

"Não paramos, é impossível parar. Temos clientes viajando no mundo inteiro, seus voos podem ser cancelados (...) Nenhum cliente nosso vai ficar sem atendimento", afirma Carla Mota, diretora de Recursos Humanos do Grupo Flytour.

Cada hora não trabalhada terá que ser compensada depois. Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas, esse sistema de compensação, vigente na maioria das empresas, limita severamente o impacto da Copa na economia.

Os restaurantes se preparam para um aumento de clientes. "Recebemos muitas reservas de empresas e decidimos servir excepcionalmente café da manhã para os jogos que serão cedo", afirma Carla Teixeira, diretora de marketing do restaurante Empório Colonial, no centro do Rio.

- Multinacionais se adaptam -

Na indústria, as telas de televisão são instaladas com maior frequência nas proximidades das linhas de montagem, como é o caso da fábrica da Michelin em Campo Grande, zona oeste do Rio de Janeiro, que funciona 24 horas por dia.

O serviço de comunicação do grupo francês especifica que a produção será parada excepcionalmente durante os jogos do Brasil, no momento da troca de turno.

Nas multinacionais, os executivos expatriados geralmente ficam surpresos com essas práticas, mas acabam se rendendo ao inevitável.

"Mesmo sendo a primeira Copa deles aqui no Brasil, nossos executivos estrangeiros conseguiram entender o quão importante é para a cultura do brasileiro essa questão do futebol e da Copa do Mundo", explica Sheila Ceglio, diretora de Recursos Humanos da Pfizer Brasil.

Nos jogos transmitidos à tarde, os funcionários do grupo serão liberados na hora do almoço, mas pela manhã, terão que assistir os jogos na empresa.

"Quando tem um equilíbrio entre as duas opções, as duas coisas funcionam bem. Percebemos que se os funcionários assistem os jogos apenas na empresa podem reclamar de não estar com a família ou amigos", encerra Sheila Ceglio.

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