Janguiê Diniz

Janguiê Diniz

O mundo em discussão

Perfil:  Mestre e Doutor em Direito – Reitor da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau – Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional.

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O legado da Copa

Janguiê Diniz, | seg, 21/07/2014 - 10:22
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A Copa do Mundo no Brasil foi um grande carnaval nos estádios de futebol. As mulheres, que não são observadas costumeiramente nos estádios brasileiros, lá estavam. E crianças também. A animação era explicita nos rostos de cada torcedor. Estrangeiros e brasileiros interagiam, independente da nação. Risos e surpresas foram capturados pelas incontáveis câmeras de TV. Tudo em clima de festa.

Pesquisa do instituto Datafolha revelou que 83% dos estrangeiros aprovaram a organização da Copa. Diante deste dado, suponho que a imagem do Brasil para o mundo será melhor após a Copa. Com isto, haverá mais interação comercial, mais turistas no País e mais cobertura da mídia mostrando para o mundo os aspectos positivos desta grande nação.

O pré-Copa foi cercado de pessimismo. Devemos confessar: nós, brasileiros, adeptos do improviso, não acreditávamos que o Brasil funcionaria na Copa. As indagações costumeiras eram: faltará táxi durante a Copa? E a polícia dará segurança à população e aos turistas? Manifestações ocorrerão? E os aeroportos? A frase “imagine na Copa” conquistou amplo espaço nas redes sociais.

Se estávamos pessimistas com a organização, sobrava-nos otimismo com o desempenho da seleção brasileira. Acreditávamos que os nossos futuros heróis entrariam em campo e derrotariam os oponentes com facilidade. No entanto, desde a estreia, a seleção brasileira mostrou que o acaso poderia proporcionar o sucesso. Mas, sem a existência dele, o título não viria. Dito e feito. O Brasil foi goleado pela Alemanha. E o sonho da conquista do hexa foi interrompido.

Entretanto, o desempenho da seleção brasileira em campo não pode ser confundido com a organização da Copa. Esta última foi um sucesso. Se o pessimismo existia antes da Copa, logo na abertura o “Vai ter Copa” tomou lugar do “Não vai ter Copa” nos ambientes virtuais e o transcorrer da Copa foi tranquilo, sem percalços.

E o que ocorrerá após a Copa? Desconfio que os brasileiros estão mais exigentes. Neste caso, irão sempre perguntar: se o Brasil funcionou bem durante a Copa, por que não funcionará após a Copa? Ou seja: se o transporte público e segurança funcionaram no transcorrer do maior evento esportivo do planeta, então, eles devem também funcionar adequadamente após o fim do grande evento.

Se a indagação sugerida estiver na mente dos brasileiros, a Copa contribuiu para o aperfeiçoamento da sociedade brasileira. Se já éramos críticos e exigentes, passaremos a ser mais. Se não tínhamos vergonha de protestar, continuaremos a reclamar e exercendo a cidadania. Portanto, a Copa deixará o seguinte legado: sabemos agora que quando governos querem fazer, eles fazem.

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As impressões que os estrangeiros vão levar do Brasil

Janguiê Diniz, | qui, 17/07/2014 - 09:02
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A Copa do Mundo no Brasil começou com inúmeras dúvidas sobre a capacidade do Brasil para sediar um evento desse porte. Na mídia nacional e internacional, eram inúmeros os questionamentos sobre se 'o Brasil estaria pronto' para receber os mais de 600 mil turistas estrangeiros esperados no País e realizar a "melhor Copa de todos os tempos", que tanto foi prometida pelos governantes.

Foram muitos atrasos nas obras. Estádios que ficaram prontos apenas aos “45 minutos do segundo tempo” e obras de infraestrutura que sequer foram entregues. Isso sem mencionar os problemas dos aeroportos e a ameaça de greves e protestos que acabou fazendo com que o Brasil ficasse em evidência mundo afora às vésperas do campeonato.

Apesar das previsões pessimistas, a imagem que ficou para quem visitou o país durante a Copa foi, em sua maioria, positiva. Não houve caos aéreo. Claro que alguns aeroportos apresentaram atrasos nos voos, mas isto é comum em períodos de muita demanda. Não houve grandes greves, os protestos foram contidos.

Entretanto, mais do que qualquer obra ou organização, inúmeras pesquisas comprovaram que o que de fato encantou os turistas estrangeiros foi a hospitalidade do povo brasileiro. Tenha sido no Recife, São Paulo, Salvador ou Manaus, em todas as cidades do país pelas quais os estrangeiros passaram, não houve quem não destacasse o nosso povo como a principal atração de cada lugar.

Nós brasileiros sempre fomos tidos como um povo hospitaleiro. A amabilidade, a forma de receber as pessoas, a alegria e a simplicidade do povo brasileiro não são características novas do nosso povo. Esse é o nosso jeito e isso conquistou os turistas estrangeiros, que não estão acostumados com tanta simpatia, já que convivem com a frieza de outros povos.

Sediamos o que a rede BBC classificou como a melhor Copa da história. Conseguimos desvincular a imagem de um país violento onde nada funcionaria que estava sendo comentada antes do evento e demos lugar à imagem de um povo acolhedor que, mesmo sem falar inglês, espanhol ou japonês, deu um jeito – ou o famoso jeitinho brasileiro - de fazer os estrangeiros se sentirem em casa.

E se não conquistamos a Copa do Mundo dentro do campo, se não conquistamos o tão sonhado hexa campeonato, ganhamos mais do que isso. E se não os preços dos ingressos desfavoreceu muitos torcedores, as ruas lotadas e a confraternização entre as várias nações foi tão bonita quanto os estádios lotados e a emoção de quem pode acompanhar de perto os jogos. Encantamos milhares de turistas que, com toda certeza, irão incluir o Brasil como opção para as próximas férias. Tudo graças à receptividade do nosso povo.

 

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O patriotismo da Copa

Janguiê Diniz, | qua, 09/07/2014 - 10:49
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Por todo o mundo, o futebol, sem dúvidas, encanta e fascina milhares pessoas. Claro que cada povo é apreciador de um determinado esporte. No entanto, nenhum dos esportes praticados no mundo - seja o beisebol dos Estados Unidos ou as lutas vindas do Japão - conseguiu, até hoje, alcançar a popularidade do futebol, sendo ele o mais praticado.

Apesar da intensa internacionalização que o mundo globalizado propõe, em época de campeonato mundial de futebol, as pessoas encarnam um sentimento ufanista e vestem as camisas de suas seleções com toda satisfação. E no Brasil não seria diferente. O senso comum diz que o futebol é o ópio do povo brasileiro.

Conhecido como o país do futebol, em ano de Copa do Mundo, o Brasil se pinta com as cores nacionais - verde e amarelo – e durante um mês, o país para suas atividades para torcer e exaltar o orgulho nacional. Enquanto isso, todos os outros assuntos, de saúde a política, perdem a importância diante das emoções que o futebol é capaz de transmitir.

O grande problema é que esse patriotismo temporário gera inúmeros comentários e, por vezes, muitas polêmicas. Talvez seja este um momento de fortalecimento da identidade do povo, entretanto, é exatamente neste momento que o brasileiro deixa de acompanhar os fatos relevantes para a nação. Ambas as questões não deixam de ser uma verdade.

Nos canais de televisão aberta, é raro se ver outra notícia ou debate que não seja relacionada à Copa do Mundo. Os brasileiros param para assistir aos jogos, mas, no dia a dia, as disputas se multiplicam na saúde, nas questões sociais e na educação. Infelizmente, durante um mês, o provável é que ninguém se importe com isso.

Mas afinal, o que significa ser patriota? Ser patriota é vestir verde e amarelo e aprender a cantar o Hino Nacional? Ou seria se emocionar com 60 mil pessoas ecoando as rimas em estádios lotados? Ser patriota é muito mais que isso. Patriota é todo aquele que ama sua pátria e procura servi-la.

Desculpem-me os fanáticos por futebol, mas não podemos vestir verde e amarelo apenas na Copa do Mundo.  O patriotismo deve ser um sentimento diário de todo cidadão. A população deve acreditar nessa união e dirigi-la para buscar melhores condições de saúde, alimentação, ensino e moradia. Mas, muito mais que isso, a população precisa acreditar nesse sentimento porque apenas assim podemos construir realmente a “pátria amada, Brasil”, aquela cantada no hino nacional e exaltada nos estádios de futebol em dias de Copa. 

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O Brasil e o PNE

Janguiê Diniz, | qui, 03/07/2014 - 16:57
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A presidente Dilma Rousseff sancionou, sem vetos, o Plano Nacional de Educação (PNE). Antes disso, ele já havia sido aprovado no Congresso Nacional. O PNE tem dez diretrizes objetivas e 20 metas, além de estratégias para as políticas de educação na próxima década, incluindo a lei que determina o investimento de 10% do Produto Interno Bruto na educação.

Polêmico, no entanto necessário, o PNE foi enviado ao Congresso em 2010, com muitas propostas próximas à realidade brasileira e outras nem tanto. A primeira meta é a universalizar a educação infantil na pré escola para as crianças de 4 a 5 anos de idade, até 2016. Hoje, no Brasil, a educação infantil é obrigatória a partir dos quatro anos de idade e temos 81,7% das crianças nessa faixa etária matriculadas na escola.

Porém, ainda há mais de 1 milhão de crianças que não estão matriculadas e é um fato que a oferta de educação infantil nas creches ainda está distante do proposto pelo Plano. Primeiro porque as crianças não freqüentam regularmente as creches e depois porque não há estrutura suficiente para atender toda a demanda.

Outro ponto que merece ser debatido é o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidade ou superdotados. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional estabelece que a educação oferecida aos alunos com necessidades educacionais especiais deve ocorrer “preferencialmente na rede regular de ensino” e, de fato, o número de alunos com deficiência entre 4 e 17 anos cresceu entre 2010 e 2011. Entretanto, essa meta é bastante complexa porque reúne diferentes necessidades especiais em uma só e, infelizmente, grande parte das crianças que estão fora da escola têm necessidades educacionais especiais.

Analisando todos os pontos do PNE, um dos mais importantes é o de alfabetizar todas as crianças, no máximo, até os 8 anos de idade, durante os primeiros cinco anos de vigência do plano. Entendo esta meta como uma pré-condição para todas as outras metas sejam atingidas. O analfabetismo ainda é um dos principais problemas da educação no Brasil e se não há alfabetização, o Plano Nacional de Educação é em vão.

Vale ressaltar, também, a meta de fomentar a qualidade da educação básica em todas as etapas e modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem.  Medir a qualidade da educação brasileira é um desafio porque há várias formas de avaliar essa qualidade e inúmeras escolas não possuem estrutura profissional para atingir esse objetivo. O que se apresenta como um outro desafio.

É possível atingir os objetivos do PNE? Sim, é possível. Entretanto, estamos atrasados em relação ao número de metas a serem atingidas e o tempo para o fim do prazo dado. Será preciso, além do investimento, bastante comprometimento com a causa para que o Brasil possa ser referência na educação mundial. E vale lembrar: todo mundo tem direito a aprender.

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Brasil dividido

Janguiê Diniz, | ter, 01/07/2014 - 11:08
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Existe um aparente consenso no mercado de que a economia brasileira caminha mal. Tal afirmação, como revelam as pesquisas presidenciais, está presente também nas classes A e B. Por outro lado, as pesquisas para presidente da República revelam que a classe C está satisfeita com a economia atual, mas com receio de perder conquistas, e a classe D continua satisfeita. A opinião do mercado é semelhante a das classes A e B. No entanto, difere das visões de mundo das classes C e D. Qual é a razão destas diferenças?

O mercado está assustado. A razão para o temor é simples: a presidenta Dilma errou, inicialmente, na condução da política econômica brasileira. Dilma e a sua equipe titubearam quanto à agenda de políticas econômicas que deveriam adotar. Por isso, perderam a confiança do mercado.

A iniciativa privada é importante para o desenvolvimento da infraestrutura brasileira? Obviamente que sim. Porém, a presidente relutou em aceitar a iniciativa privada como coparticipante da ampliação e qualificação da infraestrutura. O controle do gasto público sempre foi um objetivo dos governos petistas, isto não deve ser negado. Porém, o governo Dilma usou de artifícios orçamentários para manter o equilíbrio fiscal e o mercado não aceitou esta contabilidade criativa. A taxa da inflação fora da meta também preocupa o mercado.

As classes A e B receiam em perder poder de comprar em razão do aumento da inflação. Além disto, estão inquietas com as greves, imobilidade nos centros urbanos, falta de segurança pública eficiente e com a classe política. Esta inquietude não só afeta a presidenta Dilma, mas os políticos de modo geral. Ressalto, entretanto, que as pesquisas presidenciais revelam que as classes A e B pretendem votar em candidatos da oposição na eleição presidencial deste ano.

As classes C e D foram e ainda são beneficiadas pelas ações dos governos petistas. O conjunto de programas sociais, como “Mais Médicos”, Pronatec, Prouni e Bolsa Família atendem as demandas destas classes. Por isto, a presidenta Dilma ainda mantém bons índices de avaliação e de intenções de voto nestes segmentos. Entretanto, pesquisas qualitativas revelam que parte da classe C está temerosa em perder conquistas e desejando mais - no caso, ampliação da renda e serviços públicos qualificados.

O momento atual do Brasil é de profunda divisão social. Relutei em afirmar isto, mas, os dados advindos de variados institutos de pesquisas que divulgam o desempenho dos presidenciáveis revelam isto. A divisão social, aparentemente, não assusta, já que classes sociais têm visões diferentes e os interesses do mercado nem sempre são similares ao da sociedade. Porém, ao refletir vagarosamente, tenho receio dessa clivagem social, pois poderemos ter, em breve, independente de quem seja o presidenciável eleito, um presidente amado por uns, odiado por outros, e sem condições adequadas para continuar a mudar o Brasil.

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A civilidade japonesa

Janguiê Diniz, | qua, 25/06/2014 - 10:27
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Todos sabem que os japoneses são um povo disciplinado, educado e com tantas outras características. No entanto, mais uma vez eles se tornam exemplos para nós, brasileiros. Em plena realização da Copa do Mundo no Brasil, a notícia que estampa todos os veículos de comunicação é a da torcida japonesa flagrada com sacos de lixo recolhendo os próprios produtos que consumiram durante partida que aconteceu na Arena Pernambucano, em São Lourenço da Mata, região metropolitana do Recife.

Ainda mais surpreendente que os japoneses recolhendo os seus resíduos, é que eles fizeram isto utilizando sacolas plásticas que carregavam em suas próprias bolsas. Uma lição de civilidade para nós. Um costume comum para eles. Como isso é possível? É bem simples.

Aos que não sabem, Tóquio é considerada uma das cidades mais limpas do mundo. É comum os japoneses carregarem sacos plásticos nas bolsas para colocar seu lixo dentro. E o lixo recolhido é descartado em recipientes seletivos que são colocados em frente a supermercados e lojas de conveniência.

Ademais, engana-se quem pensa que esse comportamento dos japoneses só vale para o cotidiano ou eventos festivos. Ao contrário de tantos outros povos, que diante de tragédias muda completamente de comportamento, em 2011, quando o Japão foi atingido por um tsunami, seguido de um terremoto e depois pela maior de todas as temeridades, a radioatividade, nenhum jornalista estrangeiro, dentre os milhares que fizeram a cobertura da tragédia, noticiou pessoas tentando furar a fila da comida, do supermercado ou do atendimento à saúde.

Muitos podem justificar que, no Japão, a sociedade já é educada para possíveis tragédias, como as de 2011. Porém, acredito que seja mais do que isso. Os japoneses mantêm uma política social séria e voltada para o bem-estar da população. Os serviços públicos como educação, saúde, infraestrutura e tantos outros funcionam, por isso que o Japão é referência mundial.

Enganam-se aqueles que pensam que o ato de recolher o próprio lixo não é uma responsabilidade social e que há pessoas pagas para executar tal ação. Atitudes de recolher e acondicionar o próprio lixo são posturas advindas da educação de um povo. Povo este que pensa e age como um país de primeiro mundo.

O que para nós foi uma surpresa e expressão de uma cultura admirável, para eles é uma questão absolutamente normal, de uma cultura onde o senso comum diz que quem suja deve limpar. As escolas japonesas se ensinam civilidade, cidadania, solidariedade, autoconfiança, autodisciplina e, para complementar, as ciências.

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#VaiTerCopaSim

Janguiê Diniz, | seg, 16/06/2014 - 13:59
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Mesmo com o inicio da Copa do Mundo no Brasil, ainda é possível ver manifestações e greves em vários setores de serviços do país. Além disso, é um fato que as obras de infraestrutura, iniciadas pensando na realização do mundial, não ficaram prontas.

Para alguns, é uma novidade as manifestações que tem ocorrido país afora. No entanto, na Copa das Confederações, que também foi realizada no Brasil em 2013, a população também saiu às ruas para reclamar dos vários problemas que afligem nosso povo. Ainda assim, realizamos o evento e nos consagramos campeões.

Claro que naquele ano a situação era diferente e não foram expostos gastos exorbitantes para a construção de arenas que pouco serão utilizadas pós-evento. A Copa do Mundo do Brasil impressiona não apenas pelos números, que contradizem a realidade vivida pela população, mas também por comentários arrogantes e o elitismo dos cartolas da Fifa, que colocaram a situação da população brasileira em segundo plano quando comparado a realização do mundial.

Segundo pesquisa realizada pelo Ibope, o país está bastante dividido pela realização da Copa. Mesmo com 51% da população querendo ver o torneio acontecer, o número diminuiu à medida que se aproximou a data de abertura dos jogos. Mas, vamos a realidade: as manifestações contra a copa seriam capazes de cancelar o evento, já que há muito envolvido.

Caros leitores, muito foi investido e gasto nessa Copa. São muitas empresas envolvidas. Não seriam manifestações isoladas que fariam o evento ser cancelado. Ademais, o Brasil tem inúmeros problemas que não foram causados e nem serão resolvidos pela Copa. Neste momento, os olhos do mundo estão no nosso país e nós não podemos dar vexame.

Não sou contra as manifestações. Ao contrário. Desde os movimentos realizados em junho do ano passado, a cultura do brasileiro de ir às ruas e pedir por melhoras no país renasceu. Entretanto, agora, manifestações contra a copa são sem sentido e sem retorno, trazendo mais prejuízos que benefícios, prejudicando o povo e aumentando o número de problemas que já temos.

É preciso o amadurecimento da população na realização de protestos. As reclamações feitas nessas manifestações precisam ser mais objetivas, com pensamentos que ajudem o desenvolvimento do país, e menos partidárias. Os protestos são necessários em qualquer sociedade, porém este não é o momento.

A eleições ocorrerão no final do ano e talvez este seja o momento de mostrar que o povo está insatisfeito com o que está acontecendo no Brasil. Podem ocorrer problemas durante a Copa? Sim. E certamente eles ocorrerão. No entanto, não podemos permitir que a imagem do nosso País fique manchada diante do mundo. Protestem votando corretamente.

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A cultura dos trotes violentos

Janguiê Diniz, | qui, 12/06/2014 - 14:33
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A aprovação no vestibular de algumas universidades do Brasil passou a significar mais que alegria para pais e calouros. Tornou-se uma preocupação devido aos trotes aplicados pelos veteranos, que em alguns casos são de extrema violência.

Não é raro notícias sobre trotes violentos que acabam nas delegacias, isso quando não resultam em morte. Em várias faculdades, o “bicho” – como são chamados os calouros – são forçados a consumir bebida alcoólica, humilhados, empurrados e agredidos fisicamente, e, por várias vezes, os veteranos chegam a urinar e vomitar neles.

Embora a maioria dos estudantes no Brasil não considere o trote como um ato violento, a perda de controle acontece em casos isolados, e depois de iniciado o ritual de recepção dos calouros, é muito difícil para os envolvidos mensurar quando as brincadeiras ultrapassam os limites e tornam-se violência.

O primeiro trote universitário no país, em 1831, acabou em morte na Faculdade de Direito de Olinda. Desde então, a maioria das instituições proibiu a prática, mas o ritual continua e, em muitos casos, violentamente. Como esquecer o caso do estudante de medicina Edison Tsung Chi Hsueh, que, em 1999, foi encontrado morto no fundo da piscina da Universidade de São Paulo (USP), após ter sido forçado a entrar no local sem saber nadar? Ali acabou o sonho de um jovem e, com certeza, acabou uma família.

Infelizmente, a maior parte dos casos de trotes violentos resulta apenas na expulsão dos principais envolvidos, ou simplesmente não houve nenhuma punição. Precisamos entender que o trote universitário é parte de uma cultura tão enraizada que não deixará de existir apenas pelas proibições das faculdades. É preciso punição severa para os que participam desses crimes. Além disso, faz-se necessário um trabalho mais profundo e contínuo para que esse comportamento, muitas vezes comparado ao período medieval, seja abandonado.

Se os trotes são considerados como rituais de passagem do ensino médio para o universitário, talvez seja hora de agirmos como nos Estados Unidos, por exemplo, onde os calouros são convidados a fazerem um trabalho social, sem violência ou humilhação pública e ainda contribuindo com os mais necessitados. Essa prática já vem sendo adotada por várias instituições no Brasil, principalmente pelas instituições do Grupo Ser Educacional,  e tem dado muito certo.

Não podemos aceitar que a violência nos trotes universitários seja vista como uma coisa normal. Esse tipo de prática não é e nunca será uma política de socialização no ensino superior.

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Os desafios da saúde pública no Brasil

Janguiê Diniz, | ter, 10/06/2014 - 12:46
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Tornou-se lugar comum dizer que o Brasil têm inúmeros problemas e que há enormes dificuldades em serem solucionados, seja devido ao descaso do governo, aos problemas com a corrupção ou ao pouco tempo para colocar em prática políticas públicas que precisam ser implantadas em longo prazo.

A melhoria da saúde pública é um desses grandes desafios que o Brasil precisa vencer, principalmente quando avaliamos o Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, não podemos negar que a recente polêmica em torno da vinda de médicos estrangeiros para o país reacendeu a discussão.

Historicamente, a Constituição Federal de 1988 instituiu o SUS, que tem sua origem no movimento conhecido como Revolução Sanitária, nascido nos meios acadêmicos na década de 1970. A implantação do Sistema foi de grande valia no setor da saúde do brasileiro, porém, hoje, sabe-se que esse Sistema não funciona essencialmente conforme seus princípios: saúde como direito de todos, pregando pela Universalidade, Equidade e Integralidade da atenção à saúde da população brasileira.

Para garantir saúde pública de qualidade a toda população, o Brasil ainda precisa percorrer um longo caminho. A falta de médicos em regiões afastadas em contraponto à intensa concentração nas grandes cidades, a ausência de estrutura nos hospitais da rede pública, além da dificuldade em conseguir atendimento no SUS são apenas alguns dos inúmeros problemas que atingem os brasileiros que tentam utilizar a saúde pública diariamente.

Para entendermos a dimensão do SUS, de acordo com o Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde é considerado o maior sistema público de transplantes de órgão do mundo, e, em 2013, respondeu por 98% do mercado de vacinas e por 97% dos procedimentos de quimioterapia, tendo atendido entre 2010 e 2012 mais de 32,8 milhões de procedimentos oncológicos.

No entanto, o primeiro desafio do SUS esbarra no suporte dos postos e centros de saúde, além das unidades do Programa Saúde da Família, já que, se estes serviços funcionassem plenamente, seriam capazes de atender e resolver 80% dos problemas de saúde da população, desafogando assim os hospitais e clínicas especializadas, que poderiam dar mais atenção aos casos de maior complexidade. Além disso, muitas vezes, as doenças dos pacientes encaminhados aos hospitais poderiam ser evitadas, com ações mais efetivas na área da prevenção ou se tratadas em estágio inicial.

Infelizmente, o Brasil ainda tem muito que aprender e melhorar. Enquanto bilhões de reais foram aplicados em arenas esportivas, milhares de pessoas esperam nas filas em postos de saúde e hospitais públicos, além da falta de leitos e carência de médicos. Não basta apenas ampliar os investimentos em saúde pública, é preciso reverter a má distribuição dos recursos e melhorar a infraestrutura nas regiões mais desassistidas.

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Os médicos e os planos de saúde

Janguiê Diniz, | ter, 03/06/2014 - 17:53
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Em 2013, no Brasil, 24,7% da população tinha acesso aos planos de saúde. Isso significa um crescimento de mais de 7% em relação a 2002, quando a proporção era de 17,9%. Em Dezembro de 2010, o País tinha 1.061 operadoras de planos de saúde e quase 46 milhões de beneficiários.

O Brasil tem 347 mil médicos em atividade, de acordo com o registro no Conselho Federal de Medicina. Atualmente, praticamente 100% dos médicos brasileiros atendem através dos planos de saúde e recebem de R$ 8 a R$ 32 por consulta, em média, R$ 20. O que leva os médicos a atenderem em seus consultórios oito planos ou seguros saúde diferentes. Médicos que vivem apenas de consultas particulares são raros.

No entanto, de acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), já é realidade a migração de profissionais que atendem pelas operadoras de saúde para o atendimento particular. E o principal motivo é o baixo valor pago pelos planos de saúde aos médicos pelas consultas e procedimentos.

Infelizmente, as reclamações sobre os atendimentos de saúde, mesmo para os usuários dos planos, têm aumentado significativamente. E não apenas os usuários que reclamam, médicos também. E não é incomum pacientes serem pegos de surpresa com o descredenciamento dos médicos de seus planos.

Para entendermos o que de fato acontece, no Piaui, por exemplo, a melhor remuneração de uma consulta médica paga pelos planos de saúde privados é no valor de 50 reais e a menor 33,50 reais. Além disso, cerca de 60% dos pacientes retornam com exames solicitados pelo médico e este retorno não é remunerado pelos planos de saúde se ocorrer até 30 dias da consulta inicial.

Os responsáveis pelos planos de saúde alegam que os avanços tecnológicos encarecem a assistência médica de tal forma que fica impossível aumentar a remuneração sem repassar os custos para os usuários. Já os sindicatos e os conselhos de medicina não aceitam tal justificativa, já que as empresas controladoras dos planos de saúde não permitem acesso às planilhas de custos. E no meio desse impasse, ficam os usuários.

A grande questão para os usuários é que informações mostram um aumento significativo do número de beneficiários de plano de saúde, entretanto, não houve a ampliação da rede prestadora de serviços e hoje essas pessoas enfrentam dificuldades que se assemelham de certa forma ao que acontece no SUS.

Na disputa entre médicos e planos de saúde, quem mais sofre são os usuários. É preciso que a ANS estabeleça regras sobre a atuação dos planos de saúde no Brasil, com a finalidade de proteger os cidadãos.

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