Janguiê Diniz

Janguiê Diniz

O mundo em discussão

Perfil:  Mestre e Doutor em Direito – Reitor da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau – Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional.

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Inovação no setor público para diminuir os entraves da burocracia

Janguiê Dinizter, 11/12/2018 - 15:28

Falar em administração pública, no Brasil, é quase sempre falar em lentidão, morosidade, burocracia e entraves. É raro ver algum serviço que funcione de forma adequada. Reclamações não faltam; problemas, também. Apesar de vivermos em uma sociedade extremamente digital, o setor público ainda está preso a velhas tradições e regras do século passado, com processos  arcaicos analógicos e sem o uso correto das novas tecnologias. A inovação, que deveria ser palavra de ordem, parece estar esquecida.

As demandas da população têm aumentado em número e diversidade, o que exige da gestão pública investimentos no desenvolvimento de novas soluções, que possam atender ao público de forma mais ágil, objetiva e com economia. Uma equação que pode ser complicada, mas necessária. Não se pode, no entanto, continuar agindo como 10, 20 anos atrás. É verdade que já vemos uma série de iniciativas para tornar o setor público mais célere e menos amarrado, mas ainda há muito a se fazer.

A quantidade de assinaturas, carimbos, cópias e autenticações exigidas para determinados processos chega a ser absurda. Some-se a isso a falta de compromisso de muitos servidores, protegidos pela estabilidade do serviço público, que não se preocupam de fato em prestar um bom serviço. Por isso, processos se acumulam em gabinetes, pessoas esperam anos por respostas e nada anda.

 Por que não, por exemplo, informatizar um órgão e transferir todos seus processos para o meio digital, em vez de exigir uma série de documentos impressos, copiados e reconhecidos em cartório – o que só gera gasto de tempo e dinheiro ao contribuinte? Isso é possível ao menos nos grandes centros, onde o acesso a tecnologia é mais disseminado, e ajuda a desentravar o andamento do setor.

 Mas inovação não passa só por digitalização. É preciso que se crie processos otimizados, econômicos, com sistemas e produtos que facilitem a vida dos dois lados do balcão de atendimento. Um grande problema que vejo é a falta de gestores capacitados e voltados para a inovação. Se não há pessoas em cargos de liderança que têm um pensamento disruptivo, dificilmente o local promoverá inovações. E a inovação deveria ser uma prioridade da administração pública, uma vez que pode gerar economia para os  cofres do erário.

 Assim como a iniciativa privada, o serviço público também precisa estimular a inovação interna, partindo dos funcionários. Isso porque são os servidores que lidam mais diretamente com o atendimento ao público, por exemplo, que sentem mais as dificuldades. São eles que, se estimulados, podem sugerir mudanças, aperfeiçoamentos e inovações. Para isso, é preciso que esses trabalhadores sejam impelidos a pensarem fora da caixa e sair do piloto automático. Ter centros ou grupos de inovação pode ser uma saída para aplicar melhorias aos órgãos.

 Fato é que, em pleno século 21, não podemos mais ignorar os avanços tecnológicos, nem as oportunidades que eles oferecem. Se queremos um setor público eficiente, é imprescindível que ele  saia do lugar comum e comece a  pensar  em inovar, sempre. Mais do que pensar, é preciso colocar as ideias em prática.


A importância do investidor-anjo para as startups

Janguiê Dinizqua, 28/11/2018 - 10:15

O Brasil vem tentando, a duras penas, desenvolver seu ecossistema de startups. As empresas, que oferecem produtos ou serviços inovadores, geralmente de base tecnológica e com bom grau de escalabilidade, vêm sofrendo com as dificuldades econômicas por que passa o país, mas uma figura pode ser de grande ajuda nesse problema: o investidor-anjo. É a pessoa física ou jurídica que investe capital próprio em empresas nascentes, podendo tornar-se sócio do empreendimento. No entanto, o atual cenário não é muito favorável a esses players.

Segundo pesquisa da Anjos do Brasil, organização de fomento ao investimento-anjo e apoio ao empreendedorismo de inovação, a quantidade desse tipo de investidor no país teve um crescimento de 16% entre 2016 e 2017, chegando aos 7.615. O montante aportado no ano bateu a marca de R$ 984 milhões. Apesar de ser um recorde, o valor ainda é pouco, se comparado com o PIB nacional.

Para se ter uma ideia, levando em consideração a relação entre investimento-anjo e PIB do Brasil e tendo como ideal os Estados Unidos, deveríamos estar investindo R$ 9,4 bilhões por ano, ou seja, quase dez vezes o nível atual. Ainda temos um mercado potencial muito grande a ser explorado nesse setor. Quanto mais investidores-anjo surgirem e se empenharem no desenvolvimento de startups, mais teremos produtos, serviços e soluções de qualidade sendo ofertados, mais empregos gerados e a roda da economia ganhará um impulso para girar.

Em minha experiência como investidor-anjo, tive a oportunidade de incentivar financeiramente algumas empresas que necessitavam de capital para se desenvolverem e testemunhei o crescimento substancial delas. Tenho um projeto de investimento que seleciona startups, em qualquer estado de desenvolvimento, ou mesmo ideias de produtos ou serviços que sejam economicamente viáveis para conceder o aporte financeiro e outros auxílios. Creio ser papel de quem já conseguiu certo sucesso no empreendedorismo apoiar e incentivar aqueles que desejam trilhar o mesmo caminho.

Além disso, vejo que ter a figura do investidor-anjo como parceira da startup traz uma série de outros benefícios, como possíveis mentorias, já que o investidor tem experiência de mercado; networking, com os contatos que aquele profissional pode ceder; e visibilidade, por atrelar o nome da empresa ao de uma grande pessoa de negócios.

Pesquisas do MIT e da Universidade Harvard levantaram motivos para a importância do fomento ao investimento-anjo para o desenvolvimento do ecossistema de startups. Acontece que o aporte financeiro de investidores-anjo possibilita que as empresas nascentes cresçam mais e com mais chance de êxito. O auxílio também incentiva as organizações a serem mais inovadoras, já que há um agente externo investindo dinheiro e cobrando resultados.

Há avanços, mas ainda é preciso mais. Se o investidor-anjo é figura fundamental no desenvolvimento das startups e pode ser até a salvação do setor, precisamos de mais incentivos a esses players. Países europeus já demonstraram bons resultados ao conceder, por exemplo, incentivos fiscais às pessoas e empresas que investem em startups. Algo a se pensar, com muita responsabilidade.

 

Educar para inovar

Janguiê Dinizsex, 16/11/2018 - 14:58

Um dos termos mais citados nos campos de economia, mercado de trabalho e negócios é a inovação. Parece uma “nova” palavra mágica, centro de todo o pensamento moderno. Empresas buscam inovação, profissionais precisam inovar, países investem em ideias inovadoras. Temos toda essa consciência lá na frente, mas, um pouco mais atrás, no campo da educação, o pensamento inovador ainda não é valorizado e disseminado como deveria.

Reflexo disso é que o país ainda está muito longe de níveis bons de inovação. O Índice Global de Inovação colocou o Brasil, em 2018, na 64ª posição de 126 países – um patamar muito aquém do potencial que temos, dado o tamanho do país e a inventividade da população. Creio que muito dessa “responsabilidade” está no fato de não estimularmos adequadamente o pensamento inovador desde a escola. É bem verdade que, hoje, já vemos colégios que introduzem disciplinas como empreendedorismo, inovação e finanças em seus currículos acadêmicos, mas ainda é um percentual pequeno dentro do universo da educação básica nacional.

Quem sabe quantas mentes potencialmente inovadoras não se perdem por aí apenas por não serem estimuladas, desenvolvidas? Quantos gênios e possíveis líderes de sucesso deixam de brilhar por não terem a oportunidade e o incentivo necessários desde cedo? Há décadas é dito que o Brasil é “o país do futuro”, e esse futuro nunca chegou. Talvez, porque não o preparamos. São essas mentes que estão nos colégios hoje que serão o futuro e, portanto, precisam ser desenvolvidas agora, sob pena de, lá na frente, não darem os mesmos frutos que poderiam.

Muito se fala em políticas públicas, muito é cobrado do Governo – que, sim, deve fazer sua parte, estimulando o pensamento inovador nas escolas públicas –, mas também cabe à iniciativa privada adotar um currículo escolar modernizado, alinhado com as necessidades da sociedade digital em que vivemos, em que tudo muda tão rápido e novas coisas surgem a cada instante. É preciso que nossas crianças e nossos adolescentes cheguem à vida adulta preparados para serem inovadores. Afinal, essa qualidade não é mais um diferencial, e sim uma obrigação para quem quer ter sucesso na vida.​


Depois da eleição, precisamos voltar a inovar

Janguiê Dinizqui, 08/11/2018 - 19:43

O Brasil ficou parado acompanhando a corrida presidencial, uma das mais disputadas – nos melhores e piores sentidos. Agora, com o resultado final sobre quem ocupará a vaga no Planalto, outros assuntos virão à tona. Será hora de pensar nos rumos do País. Uma das coisas mais importantes a se debater são os investimentos em inovação. Embora sejamos destaque no empreendedorismo, ainda pecamos na inovação – o que parece até contraditório.

Entre 2017 e 2018, o Brasil subiu cinco posições no Índice Global de Inovação, passando da 69ª para a 64ª posição de 126 países ranqueados. Um avanço, visto que estávamos estagnados naquela posição há dois anos. Ainda assim, a marca mostra o quanto temos a melhorar. Hoje, o líder em inovação da América Latina continua sendo o Chile, na 47ª colocação. Ainda estão à nossa frente, na região, Costa Rica (54ª), México (56ª), Uruguai (62ª) e Colômbia (63ª). Os números nos mostram o quanto ainda precisamos melhorar – o que só será possível com investimentos massivos.

Independente de quem venceu a eleição, é necessário que o futuro presidente do Brasil volte o olhar à inovação – entre os tantos outros problemas por que passamos, claro. A inovação vem do investimento em pesquisa e desenvolvimento, mas também é promovida com a criação de um ambiente propício para as empresas se desenvolverem. Estamos em um mundo globalizado e digital, em que inovar é uma poderosa arma que as corporações têm como diferencial competitivo. Mais que isso, hoje, é uma necessidade, uma obrigação para quem não quer ficar para trás.

Importante lembrar, também, que não só o presidente precisa se preocupar com a criação de um ambiente mais inovador no país. É até mais importante que essa consciência parta do Congresso Nacional, responsável pelas principais decisões sobre os rumos do país. Se queremos que o Brasil volte a crescer e se desenvolver, precisamos estimular, cada vez mais, as mentes inovadoras, que vão criar os produtos e serviços do futuro e ajudar a devolver a força à nossa economia.


Um amor chamado docência

Janguiê Dinizsex, 26/10/2018 - 09:50

O professor é uma das profissões mais antigas e mais importantes pelo seu papel na formação de crianças, jovens e adultos. Ser professor é estar no meio. Professor é aquele que ensina, que transmite conhecimento, é essencial para a formação do ser humano. Professores são mestres que levamos pela vida afora. Ser professor é viver o seu tempo com sensibilidade e consciência. É saber lidar com as diferenças, ter flexibilidade e ajudar o seu aluno a refletir. É ser um difusor do saber. 

 A origem da data está em 15 de outubro de 1827, quando o Imperador D. Pedro I instituiu um decreto que criou o Ensino Elementar no Brasil, com a criação das escolas de primeiras letras em todos os vilarejos e cidades do país. Este decreto também estabeleceu a regulamentação dos conteúdos a serem ministrados e as condições trabalhistas dos professores.

 Ser professor é ensinar e educar, mas também aprender com seus alunos e constantemente renovar suas aprendizagens. É passar horas planejando, revendo, estudando, para preparar apenas alguns minutos de aula. Ser professor é dar tudo todos os dias, pedindo apenas em retorno o sucesso daqueles que arduamente prepara para o futuro. É indicar caminhos e deixar que seus alunos optem pelos que mais lhes convêm.

A humanidade precisa de educadores que possibilitem transformar as informações em conhecimento e em consciência crítica, para formar cidadãos sensíveis e que busquem um mundo mais justo, mais produtivo e mais saudável para todos. Infelizmente, apesar da importância, os professores ainda não têm a valorização que merecem em nosso país. A grande maioria entra em salas de aula com estruturas precárias e tem salários baixos. A forma com que se trata o professor é um dos primeiros problemas que hoje enfrentamos para atrair alguém para dar aula no Brasil.

 O Plano Nacional de Educação (PNE) dedica quatro de suas 20 metas aos professores: prevê formação inicial, formação continuada, valorização do profissional e plano de carreira. Para que se tenha uma dimensão do trabalho que o país tem pela frente, de acordo com o Censo da Escolar de 2015, dos 494 mil docentes que trabalham no ensino médio, 228 mil (46,3%) atuam em pelo menos uma disciplina que não têm formação.

 Durante a minha trajetória acadêmica, aprendi que o professor tem um poder que nenhum outro profissional tem: o professor pode mudar uma vida. Entendendo, que uma sociedade desenvolvida, é uma sociedade esclarecida e o esclarecimento vem, principalmente, através dos professores. Para tal, é preciso, em primeiro lugar, a valorização desses profissionais.  A decisão sobre como devem ser formados os novos profissionais impacta no projeto educacional de qualquer nação.

 Rui Barbosa, em uma de suas citações, disse aos professores:  “Se és capaz de aceitar teus alunos como são, com suas diferentes realidades sociais, humanas e culturais; se os levas a superar as dificuldades, limitações ou fracassos, sem humilhações, sem inúteis frustrações; se os levas a refletir mais do que decorar; se te emocionas com a visão de tantas criaturas que de ti dependem para desabrochar em consciência, criatividade, liberdade e responsabilidade, então podes dizer: sou mestre!”.

 Precisamos dar melhores condições aos nossos professores, essa é uma forma de dizermos “Obrigado!” pelos esforços, pela paciência e por terem sido e serem tão importantes na nossa formação. Obrigado por nos fazerem repensar o nosso lugar no mundo e a importância do nosso modo de estar no mundo.


Eleições 2018: o pleito que virou campo de guerra

Janguiê Dinizter, 02/10/2018 - 14:05

As eleições se aproximam e, em 2018, ganham contornos diferentes dos últimos pleitos. Desta vez, o processo está muito mais polarizado. Parece que o Brasil se divide entre esquerda e direita, coxinhas e mortadelas. Essa polarização tem levado a um “ufanismo eleitoral” assustador. Quase não se debate mais política; ao contrário, o que acontece são verdadeiros bate-bocas, discussões acaloradas, xingamentos mútuos. Aparentemente, a situação está mais desrespeitosa do que as brigas de torcidas esportivas.

Se antes política era um assunto saudável de ser debatido, hoje pode até virar caso de polícia. Não se aceita mais o contraditório, a opinião divergente. Parece que, se eu não penso igual a você, nunca nos entenderemos e seremos eternamente rivais. Como se não fôssemos capazes de entender o ponto de vista do outro ou mesmo mudar de ideia.

Até compreendo, apesar de não concordar com toda essa raiva. Afinal, a situação política do País é das piores possíveis. Desse desacerto nos três Poderes, decorrem crises na educação, segurança pública, saúde, economia, enfim, todos os âmbitos da nossa vida. Estamos mergulhados em uma grave crise, acima de tudo moral e institucional. Isso tudo causa uma revolta na população, que se desespera na busca por possíveis soluções – que têm que vir, em parte, de fato, dos políticos que dirigem o País. 

Nesse tempo, os mais exacerbados se agarram a nomes como tábuas de salvação e transformam pessoas – candidatos a cargos eletivos – em quase divindades e atribuem a elas o poder de tirar o Brasil do buraco. Acontece que qualquer outro posicionamento que não aquele que a pessoa estabeleceu como o caminho a ser seguido é tido como errado, qualquer outro candidato é logo taxado como incompetente. Que engano.

Primeiro: por mais bem intencionado que qualquer postulante nesta eleição esteja, não será ele sozinho que irá reverter a situação atual. Ele pode ter a iniciativa, mas precisará da colaboração de diversas instâncias para realizar as melhorias necessárias. Não é uma tarefa fácil, de fato. 

Mas não devemos depositar em uma pessoa a esperança da salvação do país. Isso, inclusive, causa uma “cegueira” que pode ser muito arriscada. Não ver outras possibilidades é um grande erro. Segundo: não há porque brigar tanto, disseminar tanto ódio contra o que pensa desigual. Defender uma convicção política não significa execrar ou achincalhar quem não concorda. É possível discordar, respeitando a outra parte. 

Política não é religião. Político não é Deus. Até porque, em uma democracia, ao menos em tese, o poder emana do povo.


O que realmente se perdeu no incêndio do Museu Nacional

Janguiê Dinizqui, 27/09/2018 - 11:26

Não foi só Luzia, o fóssil humano mais antigo das Américas, que foi queimada. Também não foi só o esqueleto do Maxakalisaurus topai, o maior dinossauro montado que existia na América, que foi queimado. Nem foi apenas o trabalho de 90 pesquisadores que foi consumido pelas chamas. No incêndio que destruiu quase totalmente o Museu Nacional, o fogo levou parte da nossa história, da nossa memória – não só brasileira, mas mundial. Memória essa já esquecida por parte da população brasileira.

Mais antiga instituição científica do país, o Museu Nacional foi fundado por Dom João VI em 1818 – comemorou 200 anos em 6 de junho passado. Sua coleção abrigava mais de 20 milhões de itens, uma das maiores das Américas. Uma das coleções incluía múmias em sarcófagos jamais abertos.  O que fica disso tudo é: quem conhecia esse museu? Uma joia esquecida na Quinta da Boa Vista, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

É fato que o museu sofreu com a falta de investimento público nos últimos anos, mas também devemos atentar para o fato de que a própria população negava ou mesmo desconhecia a importância da instituição. Para se ter ideia, em 2017, 192 mil pessoas visitaram o Museu Nacional. No mesmo período, 289 mil brasileiros visitaram o Louvre, em Paris. Buscamos cultura no exterior, nos maravilhamos com as coleções de museus do mundo inteiro, e nos esquecemos de valorizar o que temos em casa.

Museus abrigam nossa memória cultural, política, social, nossa identidade enquanto nação. No entanto, parece que visitar o passado não é uma atividade que atrai. Que engano. Uma sociedade que conhece seu passado entende melhor seu presente para, assim, construir um futuro promissor. É preciso que pensemos melhor, a partir da tragédia do Museu Nacional, sobre a importância que damos à preservação e valorização de nosso patrimônio histórico e cultural.

O Museu Nacional terá que ressurgir das cinzas. O Palácio de São Cristóvão, que já foi a casa da família real brasileira, terá que ser reconstruído. Mas, que esse episódio trágico sirva também para fazer reacender em nós o interesse por nossa história, o gosto pelo conhecimento. Quantos outros museus precisarão queimar para que despertemos?


Responsabilidade social e a contribuição das IES para um país melhor

Janguiê Dinizqua, 19/09/2018 - 16:24

Começamos a 14ª edição da Semana da Responsabilidade Social do Ensino Superior Particular. Até a próxima semana, centenas de instituições de educação superior de todo o Brasil realizarão milhares de atividades com foco em diversas áreas, como saúde, justiça, lazer, cultura e meio ambiente. Em comum, todas visam a promoção do bem-estar da comunidade acadêmica e também dos indivíduos que vivem nos locais onde as instituições estão localizadas.

 Desenvolvida pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), a iniciativa integra um projeto mais amplo: a Campanha da Responsabilidade Social do Ensino Superior Particular, que contempla atividades realizadas ao longo de todo o ano por IES brasileiras, públicas e particulares, associadas ou não à entidade.

 Mais do que um conceito, responsabilidade social é uma prática constante no dia a dia das instituições particulares de educação superior brasileiras. Sabedoras de que a formação de profissionais e cidadãos conscientes das suas atribuições para a construção de um país mais justo é a sua maior responsabilidade social, as IES não se furtam de intensificar essa atuação por meio de ações que ultrapassam os limites delimitados por seus muros.

 Desde que foi criada, em 2005, a Campanha da Responsabilidade Social do Ensino Superior Particular já resultou em quase 15 milhões de atendimentos à comunidade viabilizados por mais de 81 mil atividades. Apenas em 2017, de Norte a Sul, de Leste a Oeste deste país continental, foram 904 instituições de educação superior envolvidas na iniciativa.

 Orientação jurídica; atendimento odontológico; checagem de pressão e de índice glicêmico; circuitos interativos de recreação; recolhimento de lixo eletrônico; campanhas de arrecadação de livros, alimentos, roupas e brinquedos; oficinas de atividades culturais; palestras e feiras de adoção de animais são apenas algumas das inúmeras ações desenvolvidas pelas instituições ao longo de todo ano e que se intensificam durante a Semana da Responsabilidade Social.

 Os benefícios são incalculáveis tanto para quem atua como voluntário quanto para quem usufrui das atividades promovidas pelas IES. Por exemplo, para os quase 400 mil alunos que participaram da última edição, além contribuir para o desenvolvimento de uma consciência social, o contato com a comunidade proporcionou, na maioria dos casos, a oportunidade de colocar em prática parte do conteúdo teórico aprendido em sala de aula.

 Para a população atendida, um sorriso mais bonito, a segurança de saber quais caminhos trilhar na busca por direitos, a satisfação de contribuir para a preservação do planeta ou a tranquilidade de saber que a saúde está em dia ou qual especialista procurar são apenas alguns dos desdobramentos dessa ação que mobiliza centenas de milhares de pessoas a cada ano, incluindo técnicos e professores das instituições de ensino.

 Todos esses resultados somente são possíveis graças à representatividade e à relevância que as instituições particulares de educação superior possuem não somente no contexto educacional, mas no processo de transformação do Brasil em uma nação menos desigual e mais tolerante, inclusiva e sustentável.


O sonho de chegar à marca de 1 trilhão de dólares

Janguiê Dinizter, 11/09/2018 - 11:34

A maior parte dos empresários que monta o seu negócio do zero, ou que adquire pelas circunstâncias de mercado, sempre sonha em colocar a sua empresa nos mais altos patamares do mundo dos negócios. Desta forma, torná-la uma empresa global, referência no segmento, com foco em inovação e conceito de credibilidade, passa a ser a principal meta dos gestores que possuem visão de futuro.

Agora imagine atingir tudo isso e colocar a sua empresa no topo do ranking: a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado, que foi o resultado da soma de todas as suas ações na Bolsa de Valores de Nova York. Isso aconteceu no início de agosto com a Apple, empresa do ramo tecnológico conhecida pelos famosos produtos de hardware que incluem a linha de computadores Mac, iPod, iPhone, iPad, Apple TV e o Apple Watch. E o mais surpreendente é que é a primeira vez que uma empresa privada chega nesse patamar, e a primeira com base nos Estados Unidos.

Como tudo na vida, nós sempre podemos extrair lições e exemplos. Nesse caso da Apple, não tem como ser diferente, sobretudo para o mundo dos negócios. O que essa empresa pode nos ensinar no quesito sucesso? Se analisarmos as suas características, talvez uma das mais importantes seja a diversificação, já que a Apple não vende apenas iPhones e computadores, mas também serviços como o iTunes Store, Apple Music, Apple Play, entre outros.

Além disso, se tivermos um olhar ainda mais minucioso, poderemos perceber o mérito da empresa em adaptar e reinventar os produtos e os serviços com formatos únicos, fáceis de usar e com total valorização da ergonomia – este último sendo considerado um dos pontos mais importantes para os dias de hoje e que consiste na otimização das condições de trabalho humano com elementos de eficiência.

O que eu pretendo mostrar nessa explanação é que: não importa o tamanho das suas visões estratégicas, é possível, sim, ir muito longe quando se trata de negócios. Claro que isso não acontece da noite para o dia e pode levar muitos anos e muitos fracassos também. Mas, a partir das experiências e aprendizagens do cotidiano, da observação na mudança de comportamento da sociedade e dos novos cenários que estão se criando ou se reinventando, é possível crescer, atingir altos patamares e ver o sonho que saiu do papel se tornar um gigante e virar desejo de consumo de muitas pessoas.


Burocracia contra a inovação

Janguiê Dinizqui, 06/09/2018 - 10:09

Que o Brasil é o país da burocracia, isso não é novidade para ninguém. Todo mundo já sofreu com a lentidão e os entraves causados pelo excesso de exigências legais para fazer muitas coisas. Quando olhamos para o setor das startups, a burocracia tem barrado as empresas de se desenvolverem, ou até mesmo de serem criadas. A chamada Lei do Bem, em atividade desde 2007 para incentivar o investimento em startups, apesar de bem intencionada, atrapalha mais do que ajuda.

A legislação concede isenção fiscal a empresas privadas que investem em projetos de inovação em parceria com centros  públicos de pesquisa. Acontece que, para obter o benefício, é necessário um esforço hercúleo por parte do empreendedor, o que acaba por desestimular a procura. Resumindo, são três etapas para a aprovação de um projeto dentro da Lei do Bem: aprovação por três instâncias, a começar pela gerência do laboratório público parceiro da iniciativa; validação por um comitê formado por membros dos ministérios da Educação, Ciência e Tecnologia, e Indústria, Comércio Exterior e Serviços; e, finalmente, comprovação à Capes de que o projeto não reduzirá a produção de artigos científicos, principal forma de avaliação de desempenho dos centros públicos de pesquisa.

Esse caminho pedregoso em nada ajuda um pequeno empreendedor que precisa de incentivo para desenvolver seu negócio inovador. Para piorar, só podem requerer o incentivo empresas que recolhem impostos pelo sistema de lucro real, normalmente adotado apenas pelas grandes companhias. Ou seja, uma Lei do Bem que, no fim das contas, acaba fazendo mal ao ecossistema de inovação brasileiro. Não é à toa que o Brasil amarga péssimas colocações nos rankings mundiais de inovação.

Além das dificuldades econômicas já naturais às startups, um sistema burocrático que dificulta a abertura e o fechamento de empresas também mina as energias dos empreendedores. O setor vem pleiteando, principalmente, a simplificação tributária, o que já amenizaria o impacto da burocracia. Há uma proposta de novo marco regulatório para startups em tramitação no Congresso que prevê algumas mudanças e melhorias, mas ainda sem previsão de aprovação. Resta, então, aos pequenos empreendedores, continuar na luta, remando contra a maré, para fazerem seus negócios prosperarem. Uma pena, pois poderíamos ter grandes negócios de sucesso no país, não fossem todas as forças contrárias impostas pelo poder público.

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