Djalma Guimarães

Djalma Guimarães

Seu Bolso

Perfil:Economista pela UFCG e Mestre em Engenharia de Produção pela UFPE. É Docente, Projetista e Consultor Empresarial da i9 Projetos.

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DNA da PEC

Djalma Guimarãessex, 16/12/2016 - 18:55

Em poucos anos passamos de uma empolgação com o crescimento e afirmação do país no contexto internacional, para um cenário pessimista e sombrio na conjuntura brasileira. O que pode explicar tamanho revés em tão pouco tempo? Para compreender a conjuntura atual precisamos primeiramente analisar algumas importantes decisões econômicas que foram tomadas nas últimas décadas.

A segunda metade da década de 1990 marcou um período de reformas na economia em busca da modernização e crescimento, afastamento do estado da economia, previsibilidade para o gasto público, dentre outros, no entanto, um contexto internacional adverso com sucessivas crises financeiras, México, Malásia, Rússia, Brasil, etc, junto com um baixo dinamismo da produção interna impuseram uma marcha lenta para o crescimento da economia brasileira.

A primeira década deste século trouxe uma saudável transição democrática de governos e a preservação dos fundamentos macroeconômicos estabelecidos na década anterior que haviam debelado a inflação, bem como uma virtuosa combinação de fatores que induziu o crescimento do PIB e da renda no país, dentre eles: geração de ‘superávit primário’; uma acertada política de transferência de rendas; o “boom” no preço das commodities; e cenário internacional. Neste momento inicia-se uma retomada no investimento em infraestrutura que havia estacionado no período autoritário, bem como uma expansão no gasto público.

Apesar do cenário tão promissor alguns elementos corroboraram para o “revés” no ciclo virtuoso da  economia brasileira.

Revés 1

Qualquer modelo macroeconômico de cunho Keynesiano diria que a variável essencial para o crescimento de um país estava sendo corretamente estimulada no contexto brasileiro, o investimento. No entanto, o efeito benéfico do investimento público foi podado, por algumas anomalias da estrutura produtiva do país a demora na finalização de obras e os infinitos “aditivos” que elevaram ao cubo o valor de alguns projetos. Em outras palavras a corrupção minou este importante manancial de crescimento econômico de médio e longo prazo.

Revés 2

Os bons ventos na economia mundial findaram com a crise Grega e Americana por volta de 2008. O governo brasileiro utilizou uma política de estímulo à demanda para minimizar os efeitos da crise internacional no Brasil, no curto prazo a estratégia foi um sucesso. No entanto, permaneciam intocadas as causas estruturais do baixo dinamismo da economia brasileira, a exemplo da precariedade da infraestrutura, baixo nível de investimento, produtividade do trabalho estagnada, e do baixo dinamismo da indústria brasileira, etc.

Nos primeiros anos desta década a continuidade do ciclo recessivo na economia internacional comprometeu a recuperação da economia brasileira. A opção do governo foi reeditar as políticas expansionistas exitosas em 2008-2009, no entanto, o efeito dos estímulos ao consumo ficou aquém do esperado e as desonerações fiscais comprometeram de sobremaneira a arrecadação.

Ou seja, a combinação de queda na arrecadação (desonerações e isenções fiscais), estagnação da economia e ampliação do gasto público fragilizaram de sobremaneira as contas públicas. Em 2013 já eram nítidos os sinais de colapso, porém a estratégia política falou mais alto que a racionalidade econômica e o freio de amarração da economia foi deixado de lado. Em 2013 a economia apresentou um superávit nas contas públicas de R$ 91,3 bilhões, em 2014 registra-se um déficit de R$-32,5 bilhões, em 2015 a situação piora, R$ - 111,2 bilhões e estima-se para 2016 um déficit de R$ - 170,5 bilhões. Em suma, o resultado da queda na arrecadação e descontrole nas contas públicas.

Perdemos o grau de investimento e agora são apontadas algumas medidas para resgatar o controle das contas públicas, dentre elas a PEC 241 ou 55, que se propõe a congelar os gastos públicos por um período de 20 anos, corrigindo apenas a inflação do ano anterior para o orçamento do ano seguinte. Tal projeto é alvo de muitas críticas por limitar o investimento em áreas que apresentam níveis de serviço aquém do desejado, como saúde e educação. Bem como, o caráter seletivo do alcance de tais medidas, os mais ricos continuarão sendo menos taxados a exemplo da não regulamentação do imposto sobre grandes fortunas, e a taxação de ganhos no mercado de capitais, etc.

No atual contexto de descontrole nas contas públicas, uma proposta de minimização de crescimento do gasto público é necessária, no entanto, ao se propor um horizonte de 20 anos se limita o potencial de investimento em áreas estratégicas para o país, educação, saúde, P&D, etc. A adição de um gatilho de ampliação do orçamento público em períodos de crescimento econômico seria extremamente bem vindo. Por exemplo, se a economia cresce 5% no ano (considerando um gatilho de 40%), resultaria em um crescimento real de 2% no gasto público. Garantindo-se que o gasto público cresceria em uma proporção inferior ao crescimento da economia.

 

Ou seja, ao se analisar o contexto que culminou para a proposição de tal PEC, percebe-se uma combinação de progenitores, uma gestão desastrosa na economia, um congresso que impôs uma pauta bomba e agora quer impor austeridade à sociedade, e um governo que pretende distribuir o ônus do processo de ajuste apenas com as camadas de renda média e baixa da sociedade.


Quando buscar crédito?

por seg, 14/11/2016 - 17:47

Com juros astronômicos e crescentes (conforme tabela a seguir), contrair dívidas junto ao sistema financeiro brasileiro é extremamente desaconselhável. Pagar 463,03% a.a. de taxa de juros no cartão de crédito é algo surreal. Logo, economizar para comprar à vista ou pagar uma boa entrada é uma forma a minimizar as despesas com juros.

                        

No entanto, em algumas situações o consumidor se sente impelido a buscar o sistema financeiro. Quais seriam as situações que justificam contrair uma dívida tendo em vista o nível de juros de nosso mercado?

·       Dívida fora de controle – Quando o consumidor tem uma dívida extremamente cara e fora de controle (dívida que o consumidor não está conseguindo pagar) tal consumidor deve buscar uma dívida menos cara, ou seja, trocar 463,03% a.a. do cartão de crédito por um empréstimo pessoal em um banco 73,52% a.a.

·       Trocar o mesmo tipo de empréstimo – O consumidor pode fazer uma portabilidade de financiamento de um banco para outro banco a fim de conseguir uma taxa de juros mais vantajosa.

·       Financiamento educacional – Educação e qualificação profissional não devem ser considerados custos pelo consumidor e sim um investimento. Desta forma, o consumidor pode pesquisar as modalidades de crédito mais vantajosas a fim de financiar a sua educação.

·       Financiamento habitacional – Depois de muita pesquisa e verificação de condições e imóveis mais apropriados para o orçamento, pode ser considerada a aquisição da casa própria. No entanto, tal projeto pode ser adiado pois existe uma tendência de queda nos juros no médio prazo.

·       Financiamento de bem de capital – Se o consumidor pretende adquirir um bem de capital, bem destinado a abertura ou melhoramento de um negócio próprio, tal gasto representa um investimento e pode ser adequado, desde que considerado com muita pesquisa e cautela.

O consumidor também deve levar em consideração a busca de opções de crédito “menos caras”, a exemplo de: crédito consignado, refinanciamento de imóvel, antecipação de restituição de IR, antecipação de 13° salário e crédito pessoal de bancos menores. Bem como desenvolver um orçamento e cumpri-lo e fazer um plano para eliminação de dívidas.


A economia no novo governo

Djalma Guimarãessex, 02/09/2016 - 15:50

Finalizado o processo de afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff, muitas são as opiniões, comentários e expectativas para o novo governo. O que podemos esperar para o comportamento da economia de agora em diante.

Primeiramente precisamos conhecer onde estamos, para em seguida conjecturar qualquer cenário futuro.

O retrato atual da economia mostra uma inflação acumulada em 12 meses no patamar de 8,74%, pelo IPCA, valor bem acima da meta de 4,5% a.a. e até do limite superior da meta de 6,5% a.a. No entanto, tal patamar é inferior ao observado no ano de 2015, 10,67%.

No Brasil desde o final da década de 1990, inflação elevada é respondida através de política monetária restritiva, em suma, elevação na taxa de juros. De forma que a taxa de juros básica da economia se mantém a alguns meses na casa de 14,25%. Ocupamos o pódio dos países com maiores taxas de juros do mundo.

Tão grave quanto os juros e inflação elevados, observamos à deterioração das contas públicas, no ano de 2015 as contas públicas fecharam com um déficit de R$ 111,2 bilhões. Estima-se um déficit ainda maior para 2016, o governo propôs uma meta fiscal com um déficit de R$ 170,5 bilhões, estimulado pela desaceleração da arrecadação.

O PIB é outro indicador que apresenta uma trajetória pífia, em 2014 o crescimento agregado foi de 0,1%, já em 2015, registrou-se uma queda de -3,8%. Para o ano de 2016 projeta-se uma retração de -3,3%. No segundo trimestre deste ano observa-se uma queda de -0,6%. Quando comparamos o resultado do segundo trimestre com o mesmo período do ano passado observa-se uma retração de -3,8%.

Tendo em vista este cenário desanimador, quais são as perspectivas?

O afastamento temporário da ex-presidente, já representou a melhora de alguns indicadores que sinalizam movimentos futuros da economia, as expectativas. Entre o afastamento provisório em 17 de abril e o mês de agosto, a confiança do consumidor passou de 87,7 pontos para 100,1. Em relação à confiança do empresário industrial no mesmo período a confiança avançou de 36,8 pontos (abril) para 51,5 (agosto). De alguma forma os agentes econômicos passam a enxergar um contexto mais favorável no curto prazo.

No entanto, não se pode construir qualquer cenário na economia, sem levar em consideração o ambiente político e social, tão volátil nos últimos anos. Os primeiros grandes desafios da nova gestão estão relacionados à recuperação das contas públicas e a retomada do investimento produtivo no país.

 As idas e vindas nas declarações do novo governo sinalizam para algumas possibilidades:

I – Ajuste estrutural nas contas públicas

Algumas propostas do novo governo contidas no PEC 241/2016 estabelecem que a despesa pública não poderá crescer em um limite superior ao crescimento da inflação IPCA. Os gastos com saúde e educação serão submetidos ao IPCA do ano anterior. Com esse ajuste estima-se uma redução no crescimento da dívida pública.

No escopo desta discussão está a renegociação das dívidas dos estados, que propõe:

·         Alongamento por 20 anos do prazo de pagamento da dívida dos governos estaduais

·         Suspensão do pagamento de parcelas mensais até dezembro, exceto para São Paulo

·         Os estados voltam a pagar as parcelas da dívida em janeiro de 2017, mas com desconto. As parcelas terão aumento progressivo até junho de 2018, quando os estados voltam a pagar as parcelas cheias.

Contrapartida dos estados

·         Compromisso de cumprir o teto de gastos por 20 anos, que limita a ampliação dos gastos a inflação do ano anterior.

·         Proibição de concessão de reajustes a servidores públicos por um período de 2 anos, exceto acordos anteriores a aprovação da lei.

Outra possibilidade reside na recriação da CPMF, proposta que foi enviada para o congresso em dezembro passado, estima uma arrecadação adicional de R$10,6 bilhões.

Sem falar nas reformas da previdência e trabalhista que não sairão este ano.

Esta seria uma combinação de ajuste com efeito imediato mais abrupto, no entanto, com um grande custo para uma economia e sociedade já fragilizadas. Medidas de política fiscal e monetária desta natureza geralmente são tomadas no início de mandatos, no qual o novo presidente desfruta de apoio popular e apoio no parlamento, o que não parece ser o caso na atual conjuntura brasileira.

II – Ajuste moderado das contas públicas

Propor um ajuste mais gradual parece ser a saída mais factível para o novo governo. Programar um corte de gastos gradual (alongar a introdução das medidas por um período maior de tempo) e estimular o investimento produtivo, através de parcerias, acordos comerciais, ampliação do comércio exterior podem ampliar a arrecadação. Introduzir mecanismos de ajuste na previdência social a fim de reduzir o déficit. Propor um sistema de readequação do tamanho do estado, programa de privatizações e concessões de atividades que não sejam estratégicas para o país.

Seja qual for o caminho escolhido deve-se considerar que apenas uma política macroeconomia restritiva não criará as bases para um crescimento de médio e longo prazo da economia, é necessário um programa de investimentos que amplie a competitividade da produção brasileira, a partir da conclusão de grandes obras de infraestrutura logística e outras grandes obras em marcha lenta no país, bem como no início de novos projetos através de PPP e concessões. Outro fator fundamental é que nenhum país que hoje figura entre as economias mais desenvolvidas do mundo promove contingenciamentos de recursos para educação e P,D&I.

 

Outro ponto importante é a discussão do papel do estado na economia, considero a participação do estado fundamental para o desenvolvimento econômico de qualquer nação. No entanto, no contexto brasileiro deve-se buscar a eficiência na prestação de serviços de forma a otimizar a utilização dos recursos escassos, sem falar na necessidade de priorização do gasto público para áreas estratégicas, muitas unidades da federação tem sofrido com o custo de uma participação equivocada do estado na economia, a exemplo do legado deixado pelas arenas construídas para a Copa do Mundo de 2014. Não podemos deixar de mencionar a necessidade de aperfeiçoamento de mecanismos de governança de forma combater a sangria que a corrupção promove na economia do país. 


A comida está mais cara?

Djalma Guimarãesqui, 25/08/2016 - 16:05

Nos últimos tempos é comum encontrar pessoas reclamando da ‘carestia’ do orçamento apertado, que a cada mês a despesa com alimentos aumenta. Para corroborar com tais argumentos a divulgação do IPCA de julho trás a luz o fato de que a inflação dos alimentos e bebidas é superior a inflação geral da economia.

Variação de indicadores entre julho de 2006 e 2016

Ao considerar a variação do IPCA entre 2006 e 2016, percebe-se que sua elevação no grupo de alimentos e bebidas foi muito superior ao indicador geral, bem como também foi superior a elevação do salário mínimo no período. Logo, faz sentido o sentimento de orçamento curto, principalmente quando consideramos que uma grande parcela da renda das famílias é destinada a alimentação.

Ao considerar a variação do INPC no mesmo período, tal indicador mede a inflação para famílias com renda entre 1 e 5 salários mínimos, também pode ser notado uma elevação no grupo de alimentos e bebidas superior a inflação geral, no entanto, a inflação de alimentos e bebidas é inferior a elevação do salário mínimo.

Ou seja, a inflação de alimentos na série é maior que a média, e afeta com mais intensidade as famílias de renda média no Brasil.

O que pode explicar essa elevação tão significativa no preço dos alimentos?

Algumas possíveis causas de tal elevação são:

- Estiagens e secas mais freqüentes (seca prolongada no nordeste, por exemplo)

- Elevação do preço nos mercados internacionais (commodities agrícolas)

- Elevação da demanda


Indefinição

Djalma Guimarãessex, 01/04/2016 - 10:58

A conjuntura política brasileira limita a consistência de qualquer conjectura ou cenário traçado para a economia nos próximos meses e anos. Nas últimas semanas o governo federal parece colocar suas fichas em uma política de estimulo da demanda, política exitosa na crise de 2008, porém malograda desde então, os incentivos que levaram os consumidores as compras parecem não fazer mais sentido.

O aparente esgotamento de tal estratégia parece estar baseado no nível de endividamento das famílias, desemprego com trajetória ascendente e baixa confiança dos consumidores. Um lado mais perverso de tal contexto está associado a incentivos não fornecidos para o setor produtivo do ponto de vista da competitividade, o que não remete apenas ao atual governo, por exemplo: nossa infraestrutura de transportes historicamente é cara, insuficiente e ineficiente; nosso sistema tributário é pouco fluído e caro; a burocracia trava negócios, apesar da ampliação do número de anos estudados a produtividade do trabalho está estagnada. Poderíamos discorrer sobre muitas outras temáticas, a exemplo da famigerada corrupção arraigada em empresas e instituições e das taxas de juros surreais.

Até 2008 vivemos um período de liquidez no mercado internacional, o Brasil foi pretendido para a recepção de investimento externo direto, o governo desfrutou de popularidade ‘nunca antes vista na história desse país’. Porém sem os incentivos direcionados a competitividade vivemos apenas um ciclo de crescimento de curtíssimo prazo, que se esgotou.

E agora predominam as vozes adormecidas da austeridade a qualquer custo, sem considerar objetivos estratégicos de longo prazo da sociedade brasileira. A retórica diz que tal processo de ajuste recuperará a confiança e apaziguará o ambiente econômico. Resta saber se os incentivos para a competitividade serão fornecidos de forma a garantir uma posição mais competitiva para a produção brasileira de forma que possamos viver um ciclo de crescimento por um período mais longo. A história tem ensinado que apenas a austeridade não é capaz de criar um ambiente de crescimento, orientado apenas pelas forças de mercado.

 

Como conseguir retomar o crescimento e garantir o equilíbrio fiscal e baixos níveis de inflação é o enigma a ser decifrado pela equipe econômica.


Driblando a crise em 2016

Djalma Guimarãessex, 05/02/2016 - 14:00

Não é novidade para ninguém o fato de que o país enfrenta um período recessivo e os indicadores econômicos, inflação, desemprego, PIB, etc., estão andando para trás. Na verdade existe um contágio de pessimismo neste começo de ano, façamos um teste simples, ao digitar em um buscador da internet ‘Crise no Brasil’ aparecem 37,4 milhões de resultados em 0,36 segundos, enquanto se fizermos o mesmo teste com o termo ‘Como crescer profissionalmente’ encontramos 446.000 resultados em 0,39 segundos. Moral da história, vivemos e alimentamos um processo de crise, não que a culpa direta dos erros na política e economia sejam nossos, mas estamos olhando demais para o problema e deixando de lado as oportunidades que o ano de 2016 nos reserva.

Segundo a teoria econômica, um processo de baixo crescimento é revertido com a ampliação do investimento. O mesmo princípio pode se aplicar a nossa vida profissional e financeira, em um período de crise precisamos investir para crescermos, mas como isto pode ocorrer?

Vejamos duas importantes áreas para investimento: qualificação e finanças pessoais.

Qualificação

 - O mercado de trabalho tem fechado vagas em uma proporção superior a abertura. No entanto, existem áreas do mercado com ociosidade de vagas há meses. Logo, ao invés de se lamentar e culpar a crise por um infortúnio na carreira, podemos investir na qualificação. Existem vários cursos presenciais e a distância que podem dar um upgrade no currículo. Para algumas competências básicas como manipulação de planilhas eletrônicas, existem tutoriais na internet gratuitos que podem ser de grande valia. O poder público também oferece oportunidades de cursos profissionalizantes.

- O trabalhador brasileiro precisa ser mais produtivo, e isto virá pela aquisição de novas e melhores competências, então, mãos à obra. Existe um percentual significativo de analfabetismo funcional em parcela da nossa força de trabalho. Precisamos buscar mais instrução, ler mais, o Brasileiro lê em média 2 livros por ano, em uma escola de referência no Japão os estudantes chegam a ler mais de 120 livros por ano. Será que a diferença no padrão de vida dos brasileiros e japoneses é apenas culpa das ‘crises’?

Finanças pessoais

- Muitas pessoas podem estar perdendo o sono com a ampliação das contas a pagar e o achatamento do salário, esta é uma situação que nos leva a cortar desperdícios de nosso orçamento. Em 2016 precisaremos distinguir os desejos das necessidades, promover mudanças de hábitos em nossas casas, seja no consumo de energia, seja nas atividades de lazer. O brasileiro de maneira geral encara a frequência aos shopping centers como atividade de lazer, ou seja, lazer de alto custo, e deixa de lado a oportunidade de utilizar os bens públicos, praias, praças e parques que podem representar atividades mais econômicas e saudáveis.

- Também é hora de checar as cobranças indevidas e o desperdício de recursos. Em 2015 cresceu o número de cobranças indevidas realizadas por bancos. O consumidor lesado deve procurar os órgãos de defesa do consumidor para o devido ressarcimento. O consumidor também pode transformar a sua conta corrente em uma conta gratuita, ou seja, livre de taxas. Alimentação é o destino de grande parte dos recursos das famílias de mais baixa renda, no entanto, o desperdício de alimentos ainda é grande, segundo a FAO 30% dos alimentos são desperdiçados no Brasil, ou seja, você pode reduzir seu gasto com alimentação com um melhor uso.

Outras dicas específicas para o começo do ano são:

- Pagar os impostos de início de ano a vista a fim de obter descontos,

- Comprar material escolar com antecedência e reaproveitar o que for preciso,

- Verificar o material pedido pelas escolas e não comprar itens de uso coletivo,

 

Ao utilizar nosso tempo em 2016 para investir em nossa formação e nossas finanças, superaremos a crise e sairemos dela mais bem preparados.


Black Friday, ano novo, críticas velhas.

Djalma Guimarãester, 01/12/2015 - 09:39

O ano de 2015 entrará para a história econômica como ‘o ano que não começou’. Na verdade paramos na eleição presidencial de 2014. Pouco foi feito de lá para cá para superarmos as dificuldades da conjuntura e da estrutura econômica, por isto, desemprego, recessão, inflação, déficit público devem estar presentes nas listas de termos mais comentados em 2015 na internet.

Esta combinação de fatores levou muitas famílias a adiarem projetos de consumo, esperando momentos mais vantajosos para a compra de bens e serviços. Ou seja, existe uma demanda reprimida por bens e serviços. Muitos brasileiros aguardaram ansiosamente a Black Friday para a compra dos itens desejados.

Apesar da popularização do evento, alguns consumidores desconfiavam dos ditos “descontos”, em um ano tão negativo na economia, o comércio tinha a chance de apagar a imagem de ‘Black Fraude’. Porém, frutou-se quem esperou tais promoções, daquele tipo que vemos no noticiário sobre a Black Friday americana.

Nesta edição os órgãos ligados a defesa do consumidor e vários especialistas aconselharam os consumidores a consultar o histórico de preço dos produtos, o que de fato aconteceu, pois o site de comparação de preços de produtos mais popular do país passou algum tem fora do ar durante o evento, acredito que devido ao excesso de acessos. Logo, a prática de aumentar os preços no pré-evento, para conceder descontos nas vésperas do evento (Tudo pela metade do dobro) seria arriscada. Assim, a estratégia 2015 de alguns foi menores descontos, fretes interplanetários, prazos de entrega eternos, dentre outros. Vi o frete de uma TV de São Paulo para Pernambuco superior a R$ 400,00.

Em um país onde a confiança nas instituições está abalada, o sentimento de estar sendo ludibriado se reforçou no último final de semana. Não digo, que não tenham ocorrido descontos em alguns estabelecimentos, mas o Black Friday perdeu a oportunidade de cair no gosto do consumidor brasileiro em um contexto tão carente de boas notícias.


Enfrentando a Crise

Djalma Guimarãesseg, 05/10/2015 - 17:04

O efeito da crise na vida das pessoas é um fato cada vez mais perceptível, dia após dia, semana após semana, se avolumam notícias e indicadores ruins na economia. As famílias sentem isto na própria carne, seja por um inesperado desemprego, queda no rendimento, redução no poder de compra, etc.

A crise econômica brasileira dos últimos anos ganha maior repercussão sobretudo a partir do maior acesso à informação trazido pela internet. Também não se pode deixar de salientar que milhões de brasileiros que nasceram em meados da década de 1990 ainda não haviam experimentado o gosto amargo de uma crise econômica em idade adulta. De fato, tal crise tem assustado muitos destes jovens, em sala de aula percebemos prognósticos apocalípticos sobre os desdobramentos e soluções para tal crise. No entanto, milhões de brasileiros já passaram por crises muito piores, inflação de 3 dígitos, estagflação, congelamento de preços, etc. e ainda estão aqui para contar a história.

Quem já passou por tais situações, sabe que mesmo em momentos difíceis devemos estar atentos a oportunidades e desenvolver estratégias para superar uma crise.

Este período de crise pode ser pedagógico para as finanças pessoais de uma família, podemos: Começar a seperar os desejos das necessidades e priorizar apenas os gastos necessários; Envolver todos os membros da família em ações de economia, seja na eliminação do desperdício de alimentos, água, energia, etc.; Desenvolver o hábito de pesquisa e economizar para comprar os bens a vista; Bem selecionar de oportunidades de lazer mais saudáveis e mais baratas, dentre inúmeras outras ações.

Outros milhões de brasileiros tem visto na crise uma oportunidade de buscar uma segunda atividade de forma a complementar renda, outros tem percebido a necessidade de maior qualificação para ascensão no mercado de trabalho.

Assim, ao invés de alimentar a crise com pessimismo, podemos encontrar estratégias e oportunidades de melhorar nossas finanças, adquirir uma cultura de consumo mais consciente e adquirir qualificação neste período amargo mas passageiro. Poucas coisas são exatas na economia, mas as crises sempre passam.


Comprar carro novo ou ficar com o usado?

ter, 11/08/2015 - 11:08

Eis uma questão que muitos brasileiros tem enfrentado neste ano de 2015. Desde as primeiras medidas expansionistas com vistas a minimização dos efeitos da Crise Financeira Internacional em 2008, muitos brasileiros não pensaram duas vezes e compraram carros novos. 

No entanto, aquele contexto favorável, uma combinação de: Prazo alongado, redução do IPI, crescimento da renda e pleno emprego, já não são mais os mesmos. O que mudou: Crescimento do desemprego, na RMR o desemprego em abril atingiu 8%, contra 6,5% em dezembro de 2014; renda média estagnada; inflação bem acima do teto da meta 6,5%a.a., de janeiro a junho o acumulado do IPCA já atingia 8,47%; e por fim a elevação da taxa de juros para o financiamento que já eram consideradas elevadas, agora ultrapassam os 27% a.a. 

Neste contexto, o consumidor tem pensando duas vezes antes de trocar de carro, preferindo passar um pouco mais de tempo com o carro atual, esperando um cenário mais favorável para então adquirir outro veículo. 

Quem está rindo à toa é o setor de manutenção e peças para veículos usados, a opção por ficar mais algum tempo com o carro usado demanda cuidados adicionais de manutenção e reparos. Em conversas com empresários do setor, percebe-se uma ampliação no faturamento e admissão de pessoal no ano de 2015, ou seja, tal setor está na contramão da crise.

Um fato interessante é que a despeito da expressiva queda nas vendas de veículos, ilustrado pela queda de 20,7% no emplacamentos no primeiro semestre do ano, o preço médio dos veículos subiu 4,5% desde dezembro.


Crise, Juros e Consumo

Djalma Guimarãester, 16/06/2015 - 07:56

O desempenho das vendas do comércio no primeiro trimestre de 2015 é uma amostra de que a combinação de ajuste na economia e crise política tem deixado os consumidores cada vez mais cautelosos.

Não é por acaso que os consumidores estão pensando duas vezes antes de ir às compras. Além da inflação que corroí o rendimento das famílias há alguns meses, temos agora uma soma perversa de elevação no desemprego, diminuição da renda das famílias, queda na confiança do consumidor e sem falar na mudança na política monetária, com a elevação das taxas de juros.

Recente pesquisa da ANEFAC mostra que a taxa média de juros de algumas das modalidades de crédito mais populares da economia cresceu 0,89% de março para abril deste ano.

 

Março 2015

Abril 2015

Variação

%

Variação - Pontos percentuais

Taxa ao mês

Taxa ao ano

Taxa ao mês

Taxa ao ano

Juros do comércio

5,14%

82,48%

5,16%

82,90%

0,39%

0,02

Cartão de crédito

12,02%

290,43%

12,14%

295,48%

1,00%

0,12

Cheque especial

9,64%

201,74%

9,74%

205,06%

1,04%

0,1

CDC – Bancos – Fin. veículos

2,01%

26,97%

2,03%

27,27%

1,00%

0,02

Empréstimo pessoal - Bancos

3,94%

59,00%

4,00%

60,10%

1,52%

0,06

Emp. pessoal - Financeiras

7,52%

138,71%

7,54%

139,24%

0,27%

0,02

Taxa média

6,71%

118,00%

6,77%

119,48%

0,89%

0,06

 

O consumidor brasileiro poderá pagar mais de dois veículos ao financiar um em quatro anos, uma dívida no cartão de crédito pode triplicar em 12 meses. Logo, deve-se ser cauteloso nas compras a prazo.

Temores no mercado de trabalho, menor poder de compra e produtos mais caros em virtude da elevação nas taxas de juros tem puxado para baixo as vendas no varejo no Brasil, que acumula uma queda no índice de vendas do comércio de -0,73%, se olharmos apenas para o Estado de Pernambuco percebemos uma retração maior no período, -2,41%,

 

Na região Nordeste a cautela dos consumidores deve ser redobrada, pois o desemprego nas principais capitais da região, Salvador e Recife estão acima da média nacional, bem como a queda na renda das famílias 1,96% em doze meses, que supera a queda na renda nacional de 0,03% no mesmo período.

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