Adriano Oliveira

Adriano Oliveira

Conjuntura e Estratégias

Perfil:Doutor em Ciência Política. Professor da UFPE - Departamento de Ciência Política. Coordenador do Núcleo de Estudos de Estratégias e Política Eleitoral da UFPE.

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Os recados do presidente

Adriano Oliveirasex, 04/01/2019 - 10:43

A posse e os discursos do presidente Bolsonaro têm diversas sinalizações e simbolismos. A política é feita de gestos. Os discursos sinalizam a intenção. Caso assim não seja, é blefe.  Parto do pressuposto que Jair Bolsonaro não blefou. Ele evidenciou o seu desejo de como pretende conduzir o Brasil em sua era. 
A presença de Carlos Bolsonaro no Rolls-Royce sugere que o filho de Bolsonaro terá papel no governo. A ex-presidente Dilma, em sua posse, foi acompanhada da filha. Bolsonaro foi acompanho, em sua posse, do filho e da esposa. Eduardo Bolsonaro, senador eleito, frisou, ao ser questionado pela imprensa, que Carlos é o pitbull da família.

Cachorro da raça pitbull é conhecido por ser raivoso, gostar de briga e ser destemido. Portanto, a conclusão é simples, pelo menos, neste instante: Carlos Bolsonaro terá opinião no governo Bolsonaro. A dúvida é se isto é bom ou ruim. Caso ele opte, por exemplo, enfrentar a imprensa e o Congresso Nacional, ele poderá atrair para o presidente a impopularidade, embora venha a continuar a ser amado por milhares de internautas. Presidentes sábios optam por respeitar e conquistar a imprensa e o Congresso. 

Faltaram ao discurso do presidente empossado, os termos desigualdade e inclusão. Bolsonaro parece que faz a opção pela sociedade com ordem. Não que este tipo de sociedade não seja necessário para a saúde da democracia. O meu receio é que Bolsonaro relegue a desigualdade social, a qual é o principal problema do Brasil, e opte por uma sociedade policialesca.

A sociedade policialesca não faz a opção pela inclusão social. Mas pela ordem. Neste caso, os que moram no morro não podem ir para as avenidas. Estas são espaços exclusivos das classes médias e altas. A polícia impedirá os avanços da população do morro. Com isto, a ordem estará estabelecida. Mas, a desigualdade continuará a existir.

A naturalização da desigualdade social exige a sociedade policialesca. Quando algo é naturalizado, você o despreza, ou não o considera propositadamente. Será que este é o desejo intencional do governo Bolsonaro ou falta a ele interpretação adequada do Brasil? O exacerbado antipetismo de Bolsonaro lhe traz a miopia. Em razão disto, a agenda social é desprezada. Se esta minha hipótese for verdadeira, a sociedade policialesca existirá.

Quando o presidente Bolsonaro fala em mérito, fico assustado. E, mais uma vez, receio que a minha hipótese apresentada venha a ser verdadeira. Espero, entretanto, que o chefe do Executivo não tenha visão incipiente do Brasil. O mérito é necessário. Mas antes de falar dele, é importante a inclusão social, a oportunidade para todos. Em particular, a oportunidade educacional.

Criar empregos, menos Estado e menor carga tributária. Tais termos estavam nos discursos do presidente eleito. E, por isto, Bolsonaro merece aplausos. Mas, alerto: a criação de empregos requer políticas de inclusão social. E a menor carga tributária é necessária, mas não pode comprometer a oferta de bens públicos. Por fim, o Estado brasileiro precisa ser diminuído. Contudo, os pobres precisam de Estado.


A futura eleição municipal

Adriano Oliveiraqua, 26/12/2018 - 12:35

O sucesso eleitoral de Bolsonaro tem incentivado candidaturas aliadas ao futuro presidente na vindoura eleição municipal. As articulações políticas e a formação da conjuntura começam a ser construídas em 2019. A lógica exige que as alianças sejam formadas de acordo com a conjuntura em que os eleitores estarão inseridos em 2020. 

Jair Bolsonaro poderá ser um grande eleitor no próximo pleito municipal. Embora, isto não signifique que candidatos apoiados pelo futuro presidente serão eleitos. O que existe aparentemente de concreto, neste instante, é que Bolsonaro influenciará a formação de um bloco de candidatos a prefeitos que irão se confrontar com partidos que militam na esquerda, como o PT, PSB, PCdoB e PDT. 

A influência do governo Bolsonaro atingirá grandes e médias cidades.  Podendo, claro, influenciar eleitores de municípios com baixa densidade populacional. Entretanto, preciso fazer uma alerta: A possível influência positiva de Bolsonaro na vindoura eleição só ocorrerá se o seu governo conquistar popularidade. Esta poderá estar nos campos moral e econômico. É possível que a agenda moral de Bolsonaro mantenha razoável popularidade para ele, independente do desempenho da economia. Mas a agenda moral traz rejeição. Assim como um desempenho econômico pífio. 
Bolsonaro será eleitor estratégico na futura eleição municipal. Mas a força do seu apoio é uma incógnita. Candidatos opositores ao governo Bolsonaro poderão ter bom desempenho, principalmente se a popularidade do presidente da República estiver em baixa. 

A crise econômica esteve presente na eleição de 2016. Ela possibilitou a origem de eleitores tolerantes com incumbentes. Estes votantes perdoaram prefeitos candidatos à reeleição, pois “acreditaram” que os prefeitos não fizeram mais ou não cumpriram as promessas em razão da crise. Em 2020, a crise econômica estará ou não presente. A existência dela tem o poder de criar eleitores tolerantes. Mas isto não é uma certeza. Sentimentos de mudança, a depender da conjuntura municipal, e não da nacional, também devem ser considerados. 

Prefeitos bem avaliados tendem a ser reeleitos. Mas como conquistar popularidade diante da escassez? Este é o grande desafio dos atuais prefeitos. Independente de Bolsonaro ou da crise econômica, prefeitos precisam convencer eleitores que merecem continuar. A eleição municipal começou. Feliz 2019! 


O futuro do PT

Adriano Oliveiraseg, 10/12/2018 - 09:43

Em dois momentos da história, a morte do PT foi decretada. Em 2016, no auge da Operação Lava Jato. E, em 2018, em razão da vitória de Jair Bolsonaro para presidente da República. Afinal, o PT morreu?

O PT nunca morreu. O PT, em 2016, em virtude da Lava Jato, foi para UTI. Mas conseguiu sair. Em 2018, o PT perdeu a eleição presidencial, porém não saiu fortemente enfraquecido. A realidade socioeconômica do Brasil mantém o PT vivo. O sucesso ou o insucesso do governo Bolsonaro tem o poder de determinar o futuro do PT. 

O lulismo reforçou o PT. Mas o PT existe sem Lula. Embora, o lulismo seja muito maior do que o PT. No auge do lulismo, no ano de 2010, o PT tinha a preferência de 26% dos eleitores brasileiros – Instituto Datafolha. Em 2016, quando a Lava Jato estava em pleno favor, apenas 9% tinham preferência pelo PT. A Lava Jato e o desempenho do governo Dilma possibilitaram o declínio do PT. 

Após o impeachment, e a chegada à presidência da República de Michel Temer, o PT recupera fôlego. Isto ocorre também com o ex-presidente Lula. Em 2017, o PT readquire popularidade e obtém 17% da preferência dos eleitores. O ex-presidente Lula que tinha, em julho de 2016, 26% de intenções de voto, alcança, em novembro de 2017, 37% da preferência do eleitorado – Instituto Datafolha. Portanto, apesar da crise econômica e da Lava Jato, o PT e Lula reconquistaram eleitores. 

O PT sofreu estresse, recuperou popularidade e sobreviveu. A derrota para Jair Bolsonaro enfraquece, aparentemente, o partido, mas, o PT obteve a oportunidade de ser ator relevante na oposição ao futuro presidente. E chegar, em 2022, com um candidato competitivo na eleição presidencial. Entretanto, tais chances dependem, obviamente, do desempenho de Bolsonaro. 

O lulismo não perdeu para o bolsonarismo, mas para o antilulismo. O bolsonarismo é incipiente, pois, ao contrário do lulismo, não tem raízes no eleitorado, não tem memória, já quem não tem passado que faça com que os eleitores sintam saudade dele. O lulismo, ainda, provoca saudades. O bolsonarismo pode se consolidar e medir força com o lulismo, o qual pode declinar, se o PT não optar por preservar o lulismo, e, concomitantemente, abrir espaço para alianças e novos líderes. 


Descomplicando a Política comenta pesquisa sobre os recifenses, futuro e temas da conjuntura

Programa é transmitido AO VIVO toda terça, às 20h, horário de Brasília

Adriano Oliveiraqui, 06/12/2018 - 18:20
Em uma edição especial do Programa Descomplicando a Política, apresentado pelo cientista político Adriano Oliveira e pela editora do caderno de política do LeiaJá, Giselly Santos, foi divulgada a pesquisa que trata sobre 'Os recifenses, o futuro e temas da conjuntura', realizada entre os dias 03 e 04 de dezembro pelo Instituto de Pesquisas UNINASSAU. Adriano e Giselly comentam e opinam sobre os resultados.
 
Confira o programa completo no link.

Descomplicando a Política discute sobre o financiamento da saúde pública e o programa Mais Médicos

Programa é transmitido AO VIVO toda terça, às 20h, horário de Brasília

Adriano Oliveirater, 04/12/2018 - 19:00

O programa Descomplicando a Política, apresentado pelo cientista político Adriano Oliveira, recebeu o médico, professor e coordenador do curso de medicina da UNINASSAU, Cláudio Lacerda. No programa, Adriano e o dr. Cláudio conversaram sobre o Programa Mais Médicos e o financiamento da saúde pública.

Confira o programa completo no link.


Descomplicando a Política discute sobre a economia brasileira

Programa é transmitido AO VIVO toda terça, às 20h, horário de Brasília

Adriano Oliveirater, 27/11/2018 - 20:40

O programa Descomplicando a Política, apresentado pelo cientista político Adriano Oliveira, recebeu o economista, consultor e professor da UFPE Ecio Costa. No programa, Adriano e Ecio conversaram sobre o possível futuro e os desafios da economia do Brasil.

Confira o programa completo no link.


Confira a reestreia do programa Descomplicando a Política

Programa é transmitido AO VIVO toda terça, às 20h, horário de Brasília

Adriano Oliveirater, 20/11/2018 - 20:22

O cientista político Adriano Azevedo continua o trabalho iniciado durante o período eleitoral desse ano, em que faz uma análise sobre o cenário brasileiro. Nessa nova etapa do programa, o professor da UFPE conversa com Priscila Lapa sobre a nova perspectiva política, com a vitória do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

Confira o programa completo no link.


Como ser eleito deputado?

ter, 16/01/2018 - 09:40

Em meados de 2016, um neófito candidato a vereador trouxe a seguinte indagação: “Gostaria de saber se existem estratégias para que eu possa ser eleitor vereador do Recife?” O candidato revelou que não tinha lideranças comunitárias, apoio do poder estatal e não era apoiado por sindicatos e movimentos sociais. Após todas estas informações, frisei: “O seu sucesso eleitoral é improvável”. O candidato não foi eleito.

Para você ser eleito deputado estadual ou federal são necessários o apoio de prefeitos, opositores do prefeito, vereadores, vereadores não eleitos, lideranças comunitárias, sindicatos, movimentos sociais organizados, máquinas estatal e partidária. Se você não tem isto, a sua chance de sucesso eleitoral é diminuta.

Um prefeito ou um ex-prefeito representa o candidato X no município. Através da troca de benefícios, estes atores conseguem votos para o competidor X. Assim também fazem o vereador e o vereador não eleito. Esclareço que os políticos com mandato exigem mais benefícios do candidato do que os políticos sem mandato. A liderança comunitária também é instrumento para a conquista do voto. Entretanto, eles não têm a força de captação de votos que têm os políticos de carreira. Ser o candidato preferencial do partido ou do candidato ao governo do Estado importa.

Sindicatos e movimentos sociais contribuem para o sucesso eleitoral do candidato, em particular, os classificados de Esquerda. Tais atores têm o poder de organizar ações que podem render votos ao competidor. Neste âmbito, podemos encontrar o voto ideológico ou atrelado à preferência partidária, os quais são atalhos informacionais que orientam a escolha do eleitor.

Existe o voto de opinião? Este é desprovido de qualquer interesse de troca. Ele existe. Mas não conheço competidores que foram eleitos apenas com voto de opinião. Isto significa que os outros atores/instrumentos citados são necessários para o sucesso eleitoral. E as estratégias eleitorais? Elas são necessárias. E inerente a elas, estão os instrumentos mostrados e a comunicação. Contudo, a boa comunicação política não elege, solitariamente, um candidato. Se você deseja ser deputado, abandone, urgentemente, a inocência. Desconfie do voto de opinião e dos seus seguidores nas redes sociais. Seja cético quanto ao potencial eleitoral do “novo”. E boa sorte!


A corrupção importa?

Adriano Oliveirasab, 07/10/2017 - 14:12

Em maio deste ano, o Instituto de pesquisa Uninassau divulgou pesquisa qualitativa mostrando que existem eleitores das classes C e D que aprovam o gestor “que rouba, mas faz”. Recentemente, pesquisa quantitativa do instituto Datafolha reforçou a conclusão obtida pelo Instituto Uninassau. Diante de ambas as pesquisas, a tese de que candidatos acusados de corrupção são fracos competidores é frágil.

O estado bateu na porta dos eleitores das classes C e D. Sempre utilizo tal assertiva para explicar a força do lulismo, independente da região. A economia importa para explicar a escolha dos eleitores. No universo de dez estrategistas, dez concordam com tal assertiva. Diante destas duas premissas, concluo que o lulismo e o governo Temer são adversários na eleição de 2018.

Contudo, para que ambos sejam adversários, condições precisam estar postas. O lulismo é condição (Cl) que mostra forte estabilidade. Não observo, até o instante, o seu forte enfraquecimento. A recuperação da economia (Ct) é condição necessária para o fortalecimento eleitoral do governo Temer. Portanto, o fortalecimento de Ct+ permite que o governo Temer tenha candidato a presidente. Este candidato, o qual pode ser o atual presidente da República, tende a rivalizar com o candidato do lulismo.

O forte fortalecimento de Ct + poderá enfraquecer Cl-. Isto significa que o candidato do governo Temer pode vencer a vindoura disputa presidencial. Esta possibilidade, a qual continua a ser desprezada, advém da simples razão de que o bem-estar econômico orienta a escolha dos eleitores. Por outro lado, quando o Estado entra na casa dos eleitores das classes C e D, o provedor de tal ação adquire condições de conquistar ou manter eleitores.

A ação do Estado e a recuperação econômica fazem parte de uma única categoria: bem-estar. Se os eleitores sentem bem-estar ou desejam o retorno deste, o candidato que oferece bem-estar ou que um dia ofereceu, adquire chances de vencer a eleição presidencial. A corrupção, outra categoria, tem aparente força de fazer com que candidatos percam ou não conquiste eleitores.

O lulismo terá candidato em 2018. O governo Temer, caso ocorra a recuperação da economia, também. Ambos são acusados de práticas de corrupção. Mas ambos podem vir a ser reconhecidos pelos eleitores como promotores do bem-estar. O que orientará fortemente a escolha do eleitor em 2018: A acusação de corrupção ou o bem-estar? 


A reeleição dos governadores

Adriano Oliveiraseg, 31/07/2017 - 13:47

A crise econômica influenciará a escolha do eleitor na eleição vindoura para governo do Estado? A Ciência Política procura causas. No caso, o que causa B. A causa de B é A. Este raciocínio deve estar presente na mente dos estrategistas e analistas que desejam prever e agir na futura disputa eleitoral.

Tenho a hipótese, já comprovada na última eleição para prefeito, de que a crise econômica favorece o gestor candidato à reeleição. O seguinte mecanismo causal, mas não determinista, foi observado: A crise econômica (variável independente) criou eleitores tolerantes com o prefeito candidato à reeleição (variável dependente). O eleitor tolerante é compressivo e tem maior probabilidade de perdoar o incumbente pelas promessas não cumpridas. 

Para a crise econômica influenciar o eleitor, uma sábia narrativa precisa ser construída. Na eleição municipal, diversos prefeitos candidatos à reeleição narrou para o eleitor “que mesmo em época de crise econômica, ele fez, e que não fez mais em razão da crise econômica”. Essa narrativa influenciou parte do eleitorado a ser compreensivo e tolerante, e, por consequência, ocorreu a reeleição do alcaide.

O mecanismo observado na recente eleição municipal poderá ser verificado na vindoura disputa eleitoral para governos estaduais. Entretanto, não desprezo, de modo algum, outras variáveis causais, além da crise econômica, que podem influenciar a escolha do eleitor.

Pesquisas realizadas na disputa municipal em diversas cidades no ano de 2016 revelaram que a crise econômica contribuiu para novo sucesso eleitoral do prefeito. Contudo, o prefeito não estava fortemente reprovado. Isto é: A avaliação da gestão do prefeito foi o ponto de partida para o novo sucesso eleitoral. A crise econômica, por si só, não garante à reeleição.

Governadores fortemente reprovados conseguirão recuperar popularidade em razão da crise econômica? Esta é a dúvida que tenho neste instante. Governadores sábios, mesmo ciente dos efeitos positivos da crise sobre o eleitor, os quais fortalecerão as suas condições para novo sucesso eleitoral, não devem desprezar a recuperação da popularidade o quanto antes. Eleitores que toleram e compreendem o candidato à reeleição em razão da crise econômica tendem a dar nova chance a ele. Mas para tal realidade existir, é preciso que ele não esteja fortemente impopular.

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