Clara Pontes

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Quarta do consumidor

Perfil: Advogada. Professora do Centro Universitário Maurício de Nassau e Conciliadora certificada pelo TJPE

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Magrelinhas acomodadas

Clara Pontesqui, 12/12/2013 - 11:50

Felicito toda forma de auxílio à mobilidade urbana e, dentro desse contentamento, não poderia deixar de mencionar a inclusão das bicicletas públicas de uso compartilhado na cidade do Recife. Sustentáveis e espalhadas por diversas áreas (des) cumprem sua função dentro do caos da locomoção recifense.

E registro também minha admiração pelos que conseguem pedalar, realizar suas atividades, laborais ou esportivas, em uma cidade de clima pouco apropriado e com somente 24 km de ciclovias espalhadas pela cidade e sem nenhuma ligação entre os segmentos principais, ou seja, Avenida Norte, Boa Viagem e Forte.

E dentro desse quadro de infraestrutura cicloviária surge o projeto de Lei número 373/2013, que tramita na câmara municipal. Consumidora de transporte público sigo com dúvidas quanto ao espaço físico e fico curiosa com as futuras delimitações.

O projeto prevê que “ônibus e demais veículos com capacidade igual ou maior que 30 passageiros, e tenham a finalidade de explorar as linhas de transporte coletivo no Recife, deverão reservar espaço e instalar equipamentos adequados ao transporte de bicicletas”.

A justificativa é o favorecimento dos trabalhadores que fazem uso da bicicleta como meio regular de transporte ou esporte, por ser um meio não poluente, econômico e alternativo. Ótimo.  Some essa informação com a quantidade de quilômetros disponíveis e não interligados de ciclovia...

Questiono: Esse espaço é dentro ou fora do ônibus? Sim, essa pergunta é pertinente, pois como usuária de transporte público coletivo me deparo todos os dias com ausência de lugares para sentar e me sentir segura e bem transportada. Transporte eficiente e o serviço adequado, como assim prevê o Código de Defesa do Consumidor, é uma utopia dentro da realidade de todo dia, seja ele santo ou não.

Não retiro o mérito da inserção das “magrelinhas” dentro da mobilidade ou falta de mobilidade urbana, contudo acredito que, como em toda grande capital, devam-se ouvir os usuários de transporte público, suas principais reclamações, criando canais de comunicação e demonstrando de forma cristalina o plano de mobilidade urbana, para que só assim possam eleger suas prioridades e quem sabe num futuro próximo unir bicicletas e passageiros dentro de um coletivo e afirmar que os dois estão bem acomodados.

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