Ryon Braga

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Aprendizagem na era digital

Perfil: Fundador e Presidente da Hoper Consultoria. Especialista em pesquisas e estudos de mercado no setor de educação.

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A má qualidade do Ensino superior Brasileiro

Ryon Bragasab, 07/01/2012 - 21:18

Frequentemente aparece na imprensa brasileira notícias, editoriais e artigos de opinião comparando o ensino superior público e privado no Brasil. Vão desde análises técnicas até discussões ideológicas apaixonadas.

Fala-se desde as “ilhas de excelência” em algumas universidades federais e estaduais e, por outro lado, da “mercantilização” da educação promovida por algumas empresas educacionais privadas com fins exclusivamente de lucro.

Encontro especialistas, pesquisadores, professores, jornalistas e outros mais, defendendo este ou aquele lado da contenda, mas o que eu nunca encontrei, até o momento, é alguém que mostre o mais óbvio e mais importante: ambas as partes da disputa, o ensino superior privado, quanto o público, são muito ruins quando comparado com o ensino em outros países.

Na prova do ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), a média da notas dos alunos concluintes em todo o país, vem variando entre 41,6 a 47,3 dependendo do curso avaliado. Isto significa que, em uma escala de 0 a 100, os estudantes brasileiros estão se formando com menos do que 50% dos conhecimentos e competências necessários às suas profissões.

Em pesquisa realizada nos países da OCDE que aplicam provas semelhantes ao ENADE em seus concluintes do ensino superior, percebemos uma diferença de nota que varia de 18% a 47% de médias acima da brasileira. Ou seja, todos os países da OCDE que realizam testes com os concluintes ou egressos apresentam nota superior a do Brasil.

Neste momento, você leitor deve estar pensando que, diferentemente do que ocorre na educação básica, onde a prova é a mesma (o PISA), no ensino superior as provas não são as mesmas, então como podemos comparar as notas? Evidentemente não podemos. No entanto, seria muito pouco racional tentar argumentar que a diferença da nota se dá porque em todos estes países a prova é mais fácil do que a nossa.

O mais provável é supor que realmente estamos abaixo da média mundial mas, enquanto não fazem um exame PISA para a educação superior, temos que nos contentar em comparar as públicas e as particulares. Em tempo, por que será que a sétima maior economia do mundo não tem nenhuma universidade (seja pública ou privada) no ranking das 100 melhores?

Voltando a velha contenda, em recente estudo realizado pelo professor Claudio de Moura Casto, ficou evidente que não há praticamente diferença de desempenho entre as instituições particulares com fins lucrativos e as sem fins lucrativos. No subconjunto das instituições com fins lucrativos, as de capital aberto se mostraram melhores, contrariando a expectativa de que ter investidor financeiro promove queda na qualidade.

O mesmo estudo também mostrou a ligeira superioridade no desempenho das instituições públicas sobre as privadas. A titulação dos professores das universidades públicas é superior, em média, a das instituições particulares e o regime de trabalho também e, ambas as condições afetam a nota. No entanto, já sabemos que esta ligeira superioridade se dá, principalmente, pela diferença do nível intelectual do aluno que entra na instituição pública em relação ao aluno que entra na instituição privada.

Em qualquer simulação feita, se entrar um aluno de nível semelhante ao da universidade pública na instituição privada, a nota final desta seria a mesma. Em síntese, não há diferença de qualidade (na média) entre as instituições de ensino superior públicas e privadas no Brasil. Ambas deixam muito a desejar.

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