Jacqueline Silva

Jacqueline Silva

Meio ambiente e sustentabilidade

Perfil: Bióloga, Mestre em Gerenciamento Costeiro e Doutora em Oceanografia, é coordenadora geral dos cursos de graduação da Unidade Acadêmica de Serra Talhada da UFRPE e coordenadora do Museu de Oceanográfico do Sertão.

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Eleição rima com poluição

Jacqueline Silva-Cavalcantisex, 05/10/2012 - 09:12
Jacqueline Silva-Cavalcanti

Há menos de três dias para o pleito a prefeito e vereador, as cidades vivenciam a intensificação das atividades de propaganda eleitoral. Mesmo com as recentes restrições feitas pelo Tribunal Eleitoral, algumas das atividades de campanha realizadas pelos candidatos deixam nosso ambiente ainda mais poluído.

Este ano, no Recife temos oito candidatos a prefeito e mais de 800 candidatos a vereador lutando palmo a palmo os espaços nas calçadas com banners de divulgação, nos sinais, na entrega dos santinhos e nas ruas com os carros de alto-falantes. Toda essa movimentação resulta em poluição visual, sonora e acaba por deixar centenas de papéis e adesivos nas ruas.

A poluição visual pode ser definida como o excesso de elementos ligados à comunicação visual (como cartazes, anúncios, propagandas, banners, totens, placas, etc) dispostos em ambientes urbanos. O excesso de candidatos e o modismo dos banners nas calçadas, resultou em calçadas tomadas por inúmeros banners que além de proporcionar um desconforto visual neste local, dificultam a mobilidade dos pedestres. Volta-se a questão de que o problema não é a propaganda em si, mas seu descontrole.

A emissão de sons e ruídos em níveis que causam incômodos às pessoas e animais e que prejudicam, assim, a saúde e as atividades humanas, também se enquadra perfeitamente no conceito de poluição legalmente aceito no Brasil. Quem neste último mês não estava estudando, assistindo a um programa de televisão ou ainda conversando com os amigos, quando um carro de som permaneceu por algum tempo com aquele “jingle chiclete” que atrapalha tudo que você está fazendo ou planejava fazer naquele minuto? Esses relatos estão contra a lei Federal, mas como não há controle, nem tão pouco fiscalização para  controlar os abusos, principalmente neste período eleitoral, a população é afetada e se vê coagida a aceitar.

Da mesma maneira, os santinhos entregues e rapidamente descartados nas ruas do Recife e das cidades que permitem este tipo de atividade ficam ainda mais vulneráveis a contaminação. Vários desses santinhos vão ser responsáveis pelo aumento dos investimentos em limpeza urbana, bem como por entupir as galerias e provocar alterações na estética ambiental de vários ambientes públicos que concentram pessoas como parques, praças e praias.

Essas reflexões são essenciais que se repense as regras da propaganda eleitoral para torna-las mais sustentáveis. É importante também que a palavra sustentável seja avaliada pelos eleitores, pois muitos dos nossos candidatos usaram esta palavra como mote de suas campanhas, mas as atitudes não demonstraram sustentabilidade ou ainda preocupação com o meio ambiente. Uma maior fiscalização do Tribunal Eleitoral durante este período ajudará na diminuição da poluição, bem como dos gastos públicos com a limpeza urbana.

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